Artigo de 07 de novembro de 2004
Nós, que temos fé, sentimos uma voz mais vibrante que as demais vozes, que nos mandam fazer o bem e evitar o mal, para nos proporcionar segurança. O próprio Filho de Deus se fez homem. Ele veio morar entre nós. Não só apela para que todos nos empenhemos pela segurança, mas nos dá também as graças para consegui-lo. Deixou-nos sua Igreja para transmitir-nos sua graça e sua verdade. Ele mesmo é a nossa Paz, ao reconciliar os homens com Deus e entre si. É o mediador da paz.
A essência de sua mensagem é o amor. Não só uma exortação para que todos se amem. Ele mesmo derrama seu amor no coração dos discípulos, pelo Espírito Santo que lhes dá. Por isso seu mandamento, que constitui a síntese de todas as normas de segurança e de convivência é "amai-vos como eu vos amei".
No frontispício da obra de Jesus Cristo põe-se o perdão. Como Ele insistisse muito neste ponto, Pedro riscou propor uma medida: até sete vezes? Mas Ele levou-a ao infinito: sempre. Belíssima são suas parábolas sobre o perdão e a misericórdia. Dele se diz, repetidas vezes, que sentia compaixão. A Carta aos Hebreus exorta, por isso, os fiéis a aproximarem-se deste trono de graças, porque não temos um pontífice incapaz de se compadecer dos que ignoram e erram.
A linguagem do relacionamento mudou profundamente com a chegada de Cristo. Lança um não decidido à violência, à opressão, à vingança. Seu Evangelho é um sim vigoroso à vida, à fraternidade, à compaixão. Numa palavra, quem se professa cristão está empenhado com a promoção da segurança e da paz entre os homens. Deve ser o sal da terra e luz do mundo, fazendo ressoar o apelo de Cristo por todo o mundo. Proclama por isso bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus.
O nascimento de Cristo deu-se sob o signo da paz. A partir de então os anjos, isto é, todos os mensageiros de Cristo, anunciam por todo o mundo: "glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens de boa vontade" (Lc 2,14). Mesmo quando a morte violenta de Cruz elimina a presença do Príncipe da Paz, na Páscoa volta a ressoar, com renovado ímpeto, o anúncio que parecia ter sido sufocado no Calvário: a Paz esteja convosco! E para quem não quer acreditar por causa das evidências em contrário, não lhe falta a repreensão: "Por que estais perturbados e por que estas dúvidas nos vossos corações?" (Lc 24, 38).
S. João liga o anúncio da Paz pascal ao envio do Espírito Santo e à missão de perdoar (cf. Jo 20, 21- 23). A salvação chegou! Se pois estamos salvos devemos viver em segurança e ser promotores da mesma em torno de nós.
A Igreja recebeu a missão de Cristo de anunciar e de levar a paz a todos os homens. A voz de Cristo torna-se a voz da Igreja. Não por nada Ela estabeleceu o Primeiro Dia do Ano como o Dia Mundial da Paz. De fato é preciso iniciar cada ano com pensamentos, desejos e votos de paz. Todos devem ser promotores da paz.
É preciso promover um grande mutirão, que envolva toda a sociedade, desde o Estado à Igreja, desde as organizações não governamentais até às iniciativas pessoais, para criar um clima de paz e de fraternidade, de acolhida e de solidariedade de todos. Quando cada um ocupar devidamente seu próprio lugar, sem um se sobrepor ao outro, teremos ordem. Ordem é harmonia. E quando então esta ordem tiver o consenso de todos, constituindo uma ordem concorde, ou uma concordância bem ordenada, teremos paz. Por isso pode-se dizer que a paz é a síntese de todos os bens e a ausência de males. Ela está na exata medida em que todos e cada um praticarem o bem e evitarem o mal. Sua base é pois a moral. E na moral o mandamento, que é como que sua alma e representa a essência da vida cristã, é o amor.
Em síntese: onde as pessoas se amam, de verdade, dentro dos princípios de S. Paulo, no capítulo 13 da Primeira Carta aos Coríntios, há paz, há segurança, há felicidade. Ali a salvação chegou! E quem ama conhece a Deus! (1 Jo 4, 7).
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sábado, 3 de janeiro de 2009
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