Começo minha mensagem para 2004, fazendo um convite a todos para que se reeduquem para a paz, sejam pessoas de paz, homens e mulheres de amor. Temos que, mudar esse mundo, plantando em nós mesmos a paz e o amor para que todos que nos cercam possam colher ternura.A mensagem do Papa João Paulo II para o dia 1º de janeiro, Dia Mundial da Paz, é uma continuação de toda sua pregação, doação, quase imolação pela paz nos seus 25 anos de pontificado. O conteúdo das mensagens do Papa é um verdadeiro e belíssimo tratado de como o mundo deveria ser se vivesse em paz. Ele salienta que para viver de forma harmoniosa, o mundo precisa ter um compromisso: educar para a paz. Em sua mensagem, o Papa se dirige também às pessoas que lidam com direito internacional, principalmente na área de direitos humanos. Ele diz assim: “a vós juristas empenhados em traçar caminhos de pacífico entendimento, preparando convenções e tratados que reforçam a legalidade internacional...” Poderíamos dizer que o arcabouço de se fazer a paz tem caminhado, mas o problema é o pecado.Pecado de quem desobedece, de quem não quer colaborar, de quem faz guerra sem consentimento, de quem joga fora os tratados internacionais de não-agressão e outros. João Paulo II defende que é necessário educar todos os chefes das nações, porque eles têm o dever de promover a paz. Falando de educação, o Papa também quer tocar o coração dos educadores da juventude, que incansavelmente, vivem formando consciências, no caminho da compreensão e do diálogo.Depois, ele se dirige aos homens e às mulheres “tentados em recorrer ao inadmissível instrumento do terrorismo, comprometendo assim pela raiz a causa pela qual se combate”. João Paulo II pede que todos escutem o apelo humilde do sucessor de Pedro, que clama: a paz ainda é possível. A gente teria que sublinhar isso, na nossa própria consciência. E ele acrescenta que se a paz é possível, então ela é também um dever.Na sua primeira mensagem para o Dia Mundial da Paz, no início de janeiro de 1979 – lembremos que ele tomou posse em 1978- o Papa falava: “alcançar a paz, educar para a paz”. Depois de 25 anos, ele volta a esse mesmo tema. “Até agora, não cessei de levantar a voz diante da Igreja e do mundo para convidar os crentes, bem como todas as pessoas de boa vontade, a abraçarem a causa da paz, contribuindo para a realização deste bem primário e, deste modo, assegurando ao mundo, uma era melhor de serena convivência e respeito mútuo”, escreve o Santo Padre.Assim, ele nos convida a todos para a paz. A paz que começa dentro de nós. É uma mensagem que merece ser refletida, no sentido de se procurar essa ciência da paz, esse dicionário da paz que acabam sendo todas as mensagens do Papa João Paulo II. Repete um pouquinho o que o Papa João XXIII falou na encíclica Pacis in terris, que destaca os quatro pilares primordiais para a construção da paz: verdade, justiça, amor e liberdade. Um canteiro da paz dentro de nós Tudo isto nos dá uma idéia da nossa obrigação de fazer com que a paz entre bem dentro das nossas vidas, quase que numa floração bonita do que é verdadeiramente ser cristão. Quero juntar a essa idéia de paz uma sensação muito bonita, que me veio um pouco antes do Natal, e que acho que talvez seja o canteiro verdadeiro da paz dentro de cada um de nós: falo da ternura. Estou convencido de que o mundo vai se salvar pela ternura, ou seja, é justamente essa força profundíssima de descer ao coração das pessoas e, ao mesmo tempo, receber delas o retorno desse sentimento.A gente pode pensar que ternura é uma coisa fraca, um jeito terno. Não, é muito forte. Não só forte, mas uma espécie de alimento de todos os momentos, de todos os dias. O que é ternura? É eu soltar meu coração de bondade sobre uma pessoa e ela me dar como retorno a ternura. Tenho dado um exemplo, dos mais cativantes, de ternura. Outro dia, eu estava numa missa e havia uma mãe com seu filhinho, de 1 a 2 anos de idade, nos braços. A mãe acariciava a criança e ela estava feliz por ser acariciada. Foi quando vi então o que fez a criancinha: foi no rosto da mãe e deu um beijo. Ternura que vai e a ternura que volta. Isso existe, profundamente, dentro de cada um de nós. É um canteiro que a gente tem que plantar a cada momento.Deixaria essa mensagem do Papa para vocês, que é muito maior e entra em problemas de direito internacional e nessa chaga funesta do terrorismo. Fala do contributo da Igreja e sonha com essa civilização do amor. Eu, para ser bem mais concreto, diria dessa civilização ou dessa vivência verdadeiramente da ternura. Essa é mensagem que gostaria de enviar a vocês neste ano que está começando. Pensem: como seria o mundo se cada coração humano se tornasse, verdadeiramente, um canteiro de carinho, de bondade e de ternura?
Dom Serafim Cardeal Fernandes de AraújoArcebispo Metropolitano de Belo Horizonte
http://www.arquidiocese-bh.org.br/artigo/artigo.asp?id=101
sábado, 3 de janeiro de 2009
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