CIDADE DO VATICANO, 20 de janeiro de 2005 (ZENIT.org).
Sem oração e «conversão interior» não pode haver autêntico ecumenismo, assegurou João Paulo II esta quarta-feira na audiência geral concedida durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.
Este evento reúne em momentos de encontro e súplica na maioria dos países do mundo, de 18 a 25 de janeiro, os dois bilhões de cristãos do planeta, divididos em diferentes confissões.«Trata-se de dias de reflexão e de oração sumamente oportunos para recordar aos cristãos que o restabelecimento da plena unidade entre eles, segundo a vontade de Jesus, compromete todo batizado, tanto pastores como fiéis», começou afirmando o pontífice.
Diante dos sete mil peregrinos congregados na Sala Paulo VI do Vaticano o bispo de Roma recordou que neste ano a Semana acontece meses depois do quadragésimo aniversário da promulgação do decreto do Concílio Vaticano II Unitatis Redintegratio, «texto chave que pôs a Igreja Católica firme no caminho do movimento ecumênico».
O tema apresentado para a meditação neste ano pela Comissão «Fé e Constituição» do Conselho Mundial das Igrejas e pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos é «Cristo, fundamento único da Igreja», «uma verdade básica para todo compromisso ecumênico», segundo o Papa.
«Dado que a reconciliação dos cristãos supera as forças e as capacidades humanas», disse citando o Vaticano II, «a oração é expressão da esperança que não decepciona, da confiança no Senhor que faz novas todas as coisas».
«Mas a oração deve estar acompanhada pela purificação da mente, dos sentimentos, da memória --agregou--. Converte-se deste modo em expressão dessa “conversão interior” sem a qual não há autêntico ecumenismo».«Em definitivo --assegurou--, a unidade é um dom de Deus, dom que há que implorar sem cansar, com humildade e verdade».
O pontífice se mostrou otimista ante o futuro, pois, segundo constatou, «o desejo da unidade está-se estendendo e se aprofunda até tocar novos ambientes e contextos, suscitando fervor de obras, iniciativas, reflexões».
«Recentemente o Senhor também permitiu que seus discípulos pudessem ter contatos de diálogo e colaboração --recordou--. A dor da separação se sente cada vez com mais intensidade, ante os desafios de um mundo que espera um testemunho evangélico claro e unânime por parte de todos os crentes em Cristo».
O Papa recordou que, como em anos passados, em Roma, a Semana concluirá com a celebração das Vésperas, em 25 de janeiro, na basílica de São Paulo Extramuros, presidida nesta ocasião pelo cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, com a presença de representantes de outras igrejas e confissões cristãs.
«Eu me unirei espiritualmente e vos peço que rezeis para que toda a família dos crentes possa alcançar o quanto antes a plena comunhão querida por Cristo», concluiu.
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