25 de abril de 2005
O Povo do Antigo Testamento caminhou, ao longo de sua História, em torno da Páscoa. Anualmente se reunia para sua celebração. Iniciava recordando a libertação do Egito para culminar no rito do Cordeiro, que era comido por família. Jesus fez coincidir o ápice de sua caminhada na terra na celebração da Ceia Pascal, que conhecemos como "Última Ceia". Ele confessa que foi, com grande desejo, que se dispôs a comer esta Ceia com os discípulos. Iniciaria ali a Nova e Eterna Aliança.
Ao tomar o pão e depois o vinho e dizer que isto era seu corpo e Sangue, entregues pela salvação do mundo, ordenou: "fazei isto em memória de mim". E a partir deste momento a Igreja, que cinqüenta dias depois sairia do Cenáculo, animada pelo Espírito Santo, nunca deixou de repetir este gesto. Tem nesta celebração eucarística seu ápice e fonte. Vive a partir da Eucaristia.
A Igreja herdou dos Hebreus o costume de reunir os fiéis para ouvir a Palavra de Deus. Não se limita a ler as Escrituras Sagradas mas quer proclamá-las aos fiéis, levando-as à acolhida e ao culto de Deus, que lhes fala através destes livros inspirados. Mas, além de elaborar uma consistente liturgia da Palavra, que traz textos do Antigo Testamento, a Igreja tem consciência de que os tempos messiânicos chegaram. As promessas foram realizadas. Deus não só fala mas vem pessoalmente ao nosso encontro. Ele está no meio de nós.
Por tudo isso, tendo ouvido o anúncio da Boa Nova, passa à concretização do encontro com o próprio Deus. É a liturgia eucarística. Enquanto se narra o que Jesus fez na Última Ceia, sob a ação do Espírito Santo, isto vai acontecer realmente entre nós. O pão se torna o Corpo de Cristo e o vinho o Sangue de Cristo, trazendo para o nosso meio a oferta que Ele faz ao Pai pela nossa salvação.
Vemos por isso na Eucaristia, em primeiro lugar, o Sacrifício de Cristo, que dá na Cruz, sua vida por nós. E nós partilhamos deste Sacrifício. Nele e por ele sentimo-nos salvos, reconciliados com o Pai e entre nós. Celebramos a morte e ressurreição de Cristo, enquanto ficamos esperando, ainda peregrinos neste mundo, sua volta gloriosa.
Entrou na consciência católica a necessidade e por isso a obrigação de participar todos os domingos deste Sacrifício. Sem esta participação a vida cristã se atrofia e estagna. De fato, a Igreja reconhece nele seu ápice e fonte. O Papa João Paulo II decretou por isso o ano 2005 como Ano da Eucaristia para levar os fiéis ao aprofundamento deste Mistério Central de sua vida.
Ao tornar presente o Sacrifício da Cruz em nosso meio, a Igreja tem consciência de ter conseguido, sacramentalmente, sob as espécies do pão e do vinho, o próprio Cristo. Falamos por isso de uma presença rela. Este Cristo eucarístico é recebido em comunhão pelos fiéis. E logo entendemos comunhão como união profunda com Ele e, consequentemente, com todos os que O recebem. É pois o sacramento da unidade da Igreja. A Eucaristia faz Igreja e a Igreja celebra e faz a Eucaristia.
Tendo assim Cristo presente, a Igreja procurou aprofundar este Mistério e tributar-lhe o devido culto. Logo entendeu que Cristo eucarístico, por ser o Filho de Deus feito homem, deve ser adorado e glorificado. Daí toda a devoção eucarística e o culto, que se lhe tributa. Quem crê na Eucaristia, nesta profundidade da presença real, não pode ficar-lhe indiferente ou alheio. Não só se prostra de joelhos, como também lhe dedica tempo para estar junto dele. Crendo na presença real de Cristo na Eucaristia não podemos limitar nosso culto à celebração da Missa. É preciso marcar presença pessoal junto dele.
O Papa define a Eucaristia como um mistério de luz. Antes de se aproximar dela procuramos, em cada celebração, auscultar a Palavra de Deus. Ali entendemos seu significado, porque Ele mesmo nos "explica, com todas as Escrituras, tudo o que lhe diz respeito" (Lc 24,27). Logo O reconhecemos presente "ao partir o pão" (Lc 24, 35). Ele mesmo nos prepara um banquete. E logo o acolhemos na certeza de que Ele "está conosco todos os dias" (Mt. 28,20).
Por isso nossa atitude se expressa com três gestos: celebração, adoração e contemplação. E logo nos sentimos impelidos a anunciá-lo: nós encontramos o Messias, ou com os discípulos de Emaús: corremos para surpreender o mundo com sua presença ressuscitada, que se atualiza em cada celebração eucarística. Nossa mensagem é de Cristo vivo, presente entre nós pela Eucaristia. Quem crê na Eucaristia não pode jamais desesperar nem desanimar.
sábado, 3 de janeiro de 2009
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