sábado, 3 de janeiro de 2009

NOSSOS ADMIRÁVEIS IRMÃOS

13 de março de 2005

Com o maciço bombardeio de crimes, de guerras, de atentados, de seqüestros e roubos, fica a impressão não só de desassossego, mas de uma humanidade pervertida e má. Diante de crimes hediondos, surge espontânea a exclamação de que a humanidade é uma experiência que não deu certo.
Mas essa impressão é falsa e parcial. Nossa humanidade, de acordo com ditames de nossa fé cristã, é uma humanidade redimida. Isso significa que ela está salva. O próprio Filho de Deus, pelo qual foram feitas todas as coisas, veio não só nos visitar com sua divindade, mas assumiu também nossa humanidade. Ele é um dos nossos e nós nos tornamos irmãos dele. Garante por isso que tudo o que se fizer a seus irmãos é a Ele próprio que se faz.
A partir desse princípio, surgiu, na humanidade, uma espécie de emulação santa, pela qual cada fiel procura esmerar-se mais na prestação de serviço aos irmãos. Muita gente aprendeu de Jesus que entre seus discípulos não seria o maior quem dominasse os outros, mas quem melhor os servisse.
Se pudéssemos ver tudo o que nossos irmãos, discípulos do Divino Mestre, fizeram, ao longo destes 2 mil anos, em prol da humanidade, e como a tornaram melhor, mais solidária e fraterna, ficaríamos deveras admirados. Certamente nos orgulharíamos de ter tais irmãos e não duvidaríamos de que este mundo em que vivemos, apesar de todos os pesares, mas pelo fato de ter uma cruz chantada em seu meio, é, para toda a eternidade e em cada tempo, mais glorioso e mais rico de valores que uma humanidade que não tivesse sido marcada pelo pecado. Por isso cantamos, nesta quaresma, a feliz culpa que nos trouxe semelhante Redentor, que contagiou, com seu exemplo, suas palavras e sua graça, uma enorme multidão de pessoas de todas as classes, idades e condições de vida. Todos levam a marca de sua atuação e de sua presença. Dão testemunho de sua obra salvífica.
A Igreja nos propõe alguns modelos, que viveram sua fé cristã até ao heroísmo. Cada século tem seus santos a retratar a vida cristã no seu contexto. São admiráveis suas vidas! Constituem nossos heróis.
Cada época realça alguns valores de preferência a outros. Mas todos os santos se caracterizam pela vivência exímia das três virtudes teologais: pessoas - homens, mulheres, crianças, adultos e idosos - de uma profunda fé, de uma inabalável esperança e de uma acentuada caridade. E nós admiramos essas pessoas, que vivem como se vissem o invisível, cientes de que o essencial é invisível aos olhos; que esperam, apesar de todas as contrariedades; e amam sem nenhum interesse particular, somente porque elas mesmas se sentem amadas por Deus.
Na base dessa atitude está Deus, por Jesus Cristo no Espírito Santo. Há nos santos algo que transcende nossas capacidades e expectativas humanas: é a graça divina, que move as inteligências, os corações e os sentimentos.
A partir dessa graça, que nos foi trazida por Jesus Cristo e está na base da Redenção por Ele operada, cria-se uma nova humanidade, que tem, como essência de vida, o amor. A convivência humana recebe uma nova dinâmica e um novo apelo.
É verdade que o amor entre nós, humanos, não é puro. Está marcado pela natureza limitada e carente. Por isso deve-se acrisolar. Falamos de um amor exigente. Dizemos que não há nada de perfeito neste mundo. Nem o amor. Ele é perfeito somente no céu, porque o próprio Deus é amor e lá só entra quem ama. Mas, antes de chegar lá, cada pessoa deve provar e autenticar seu amor. E na medida em que conseguir viver o amor puro - colocando a fé em prática - inicia a gozar das delícias do céu. Não por nada os santos, antes da canonização, isto é, antes de serem declarados perfeitos no amor, são beatificados, o que equivale a dizer que são declarados felizes. São e foram felizes porque creram em Jesus Cristo, esperaram nas suas promessas e amaram de acordo com seu mandamento. Mas eles não são nem foram só felizes pessoalmente. Tornaram também felizes todas as pessoas que os rodearam e participaram de sua irradiação.

http://www.arquidiocesepoa.org.br/ - VOZ DO PASTO D. DADEUS GRINGS

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