sábado, 3 de janeiro de 2009

“Estreitemo-nos a Cristo, Pedra viva!

“Estreitemo-nos a Cristo, Pedra viva!Recomecemos a partir dele!” - Papa João Paulo II

Na manhã de quarta-feira 22 de Outubro de 2003, – vigésimo quinto aniversário do início do Ministério de Pastor universal da Igreja, do Santo Papa – João Paulo II presidiu a uma solene Concelebração Eucarística, com os trinta Cardeais recém-criados.No contexto dessa Concelebração, oficiada na Basílica de São Pedro, o Sumo Pontífice entregou aos neopurpurados o anel, símbolo de renovado vínculo de unidade com a Igreja recordando, entre outras coisas, a necessidade que os membros do Colégio Cardinalício tem a dar testemunho de Jesus, Cristo no mundo, “usque ad sanguinis effusionem”, e de ser confirmados “na verdade e na unidade da fé”.

Publicamos a seguir a tradução do texto da homilia pronunciada pelo Papa nessa especial ocasião de festa para a Igreja:
1. Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo! (Mt 16, 16).
Neste vinte e cinco anos de Pontificado, quantas vezes repeti estas palavras!
Pronunciei-as nas principais línguas do mundo e em numerosas regiões da Terra. Com efeito, o Sucessor de Pedro jamais pode esquecer-se do diálogo entretecido entre o Mestre e o Apóstolo: “Tu és Cristo...”, “Tu és Pedro...”.
Mas este “Tu” é precedido de um “vós”: “e vós, quem dizeis que Eu sou”? ( Mt 16, 15). Esta interrogação de Jesus é dirigida ao grupo dos discípulos, e Simão responde em nome de todos.
O primeiro serviço que Pedro e os seus Sucessores prestam à comunidade dos crentes é precisamente este: professar a fé em “Cristo, filho de Deus vivo”.
2. “Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo!”. No dia de hoje, renovamos a profissão de fé do Apóstolo Pedro nesta Basílica, que tem seu nome. Nesta Basílica os Bispos de Roma, que se sucederam ao longo dos séculos, convocam os crentes da Urbe e do Orbe, para os confirmar na verdade e na unidade da fé. Mas ao mesmo tempo, como exprime oportunamente a adjacente Colunata de Bernini, esta Basílica abre os seus braços a toda a humanidade, como que para indicar que a Igreja é convidada a anunciar a Boa Notícia a todos os homens, sem exceção. Unidade e abertura, comunhão e missão: este é o respiro da Igreja. Em particular, esta é a dúplice dimensão do ministério petrino: serviço de unidade e missionariedade. O Bispo de Roma tem a alegria de compartilhar este serviço com os outros sucessores dos Apóstolos, reunidos à sua volta no único Colégio episcopal..
3. Segundo uma antiga tradição, neste serviço o Sucessor de Pedro vale-se de maneira particular da colaboração dos Cardeais. No seu Colégio reflete-se a universalidade da Igreja, único Povo de Deus arraigado na multiplicidade das nações (cf. Lúmen gentium, 13).
Caríssimos e venerados Irmãos Cardeais, nesta circunstância gostaria de vos exprimir o meu reconhecimento pela válida ajuda que me assegurais. De maneira especial, quereria saudar também os novos membros do Colégio Cardinalício. Venerados Irmãos, o anel, que daqui a pouco vos entregarei, é símbolo de renovado vínculo de unidade que vos une estreitamente à Igreja e ao Papa.
4. Voltamos a escutar, em conjunto, as palavras do Salmo, que acabaram de ressoar: “Repeti comigo: o Senhor é grande / junto exaltemos o seu Nome” ( Sl 34 [33], 4).
É um convite à alegria e ao louvor que, em círculos concêntricos, se alarga a vós, caríssimos Cardeais, Patriarcas, Bispo, sacerdotes, religiosos, religiosas e fiéis leigos. Além disso, ele compromete-vos a todos vós, homens e mulheres de boa vontade, que olhai com simpatia para a Igreja de Cristo. Repito a todos e cada um de vós: celebrai juntamente comigo o nome do Senhor, porque Ele é Pai, amor e misericórdia. Venerados Irmãos Cardeais, é deste Nome que nós fomos chamados a dar testemunho “usque ad sanguinis effusionem”.
Se, porventura, chegassem o medo e o desânimo, que nos seja de alívio a promessa consoladora do Mestre divino: “Neste mundo tereis aflições, mas tende coragem: Eu venci o mundo” ( Jo 16, 33).Jesus anunciou, prévia e claramente, que a perseguição dos Apóstolos e dos seus sucessores não seria uma fato extraordinário ( cf. Mt 10, 16-18). Foi o que no-lo recordou inclusivamente a primeira Leitura, apresentando o aprisionamento e a milagrosa libertação de Pedro.5. O Livro dos Atos salienta o fato de que, enquanto Pedro estava na prisão, “a oração fervorosa da Igreja subia continuamente até Deus, intercedendo em favor dele” ( At. 12, 5). Que grande coragem infunde o sustentáculo da pração unânime do povo cristão! Eu mesmo pude experimentar o conforto que disto promana. Caríssimos, esta é a nossa força. E constitui também um dos motivos pelos quais desejei que o vigésimo quinto ano do meu Pontificado fosse dedicado ao santo Rosário: para ressaltar o primado da oração, de maneira especial na prece contemplativa, recitada em união espiritual com Maria, Mãe da Igreja.
A presença de Maria – desejada, invocada e acolhida – ajuda-nos a viver também esta celebração como um momento em que a Igreja se renova no encontro com o Cristo e na força do Espírito Santo.
Estreitemo-nos a Cristo, Pedra viva! Foi o que nos disse Pedro, na segunda Leitura ( I Pd. 2, 4-9). Recomecemos a partir dele, de Cristo, para anunciar a cada um os prodígios do seu amor. Sem temer e sem hesitar, porque é Ele que nos garante: “Tende confiança, Eu venci o mundo!”.
Sim, Senhor, nós confiamos em Ti e continuamos o nosso caminho juntamente contigo, ao serviço da Igreja e da humanidade!
http://www.rccbrasil.org.br/index.php?s=papa

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