06 de março de 2005
A filha de Billy Graham, Anne, perguntada sobre como Deus teria permitido o horroroso atentado de 11 de setembro, nos Estados Unidos, respondeu que terá ficado muito triste com o ocorrido. Mas Ele, infelizmente, já fora excluído da sociedade norte-americana há bastante tempo: 'Por muitos anos nós temos dito para Deus não interferir em nossas escolas, sair do nosso governo e sair de nossas vidas. Sendo um cavalheiro como Deus é, eu creio que Ele calmamente nos deixou'. Agora não nos podemos nos queixar!
No Brasil, acusa-se seguidamente a Igreja de ser a defensora das causas perdidas. A expressão, certamente, não é correta. Na verdade, não se trata de causas perdidas, mas das grandes causas, que envolvem nossa vida e nossa sociedade. Senão vejamos: em meados do século XX, iniciou-se uma intensa campanha de liberalização dos costumes. Começou pela demolição da moral sexual, declarando superado o tabu do sexo, para afiançar que, 'em matéria de sexo, não existe certo e errado'. A Igreja foi derrotada e declarada ultrapassada em sua concepção moral. A sociedade aplaudiu. Agora arca com o espectro da Aids, a volta da sífilis, o abuso de menores, os atentados violentos ao pudor... Mas tudo bem! Isso é democracia! Isso é progresso! A atuação homossexual é um direito!
A seguir, travou-se a dantesca batalha do divórcio. As 'forças progressistas' venceram a 'Igreja reacionária'. Com a estrondosa vitória, todos se aquietaram. Agora está tudo bem: é possível divorciar-se a cada ano. A família esfacelou-se. Mas, pior ainda: desestabilizou-se. Os casamentos se desfazem com facilidade e já não se sente necessidade de realizá-lo publicamente. A família entrou em crise, sem amparo nem segurança. Só a Igreja está empenhada em defendê-la. E os casais de segunda, terceira e quarta união gemem sob seu peso!
Veio então a questão do aborto e da eutanásia. E, novamente, a voz da Igreja está sendo sufocada por uma série de argumentos, que põem a subjetividade na vanguarda das decisões. Afinal, a mulher é dona de seu corpo. Ela decide sobre sua gestação. Cada um pode determinar as condições de sua vida e sua morte. Ganhou a liberdade, mas a vida se bagatelizou. Desceu a um nível assustadoramente baixo, que tem, na violência, seu índice mais significativo.
Avançou-se para o campo pedagógico. Os novos métodos proíbem proibir. Não se admite a correção e muito menos uma punição, quer dos familiares, quer dos mestres. Quem transgredir essas normas deverá responder frente aos Conselhos Tutelares e terá a reprimenda dos direitos humanos. A Igreja novamente foi derrotada no seu afã educativo. Chegamos à condição selvagem, que privilegia a lei das selvas, tanto no âmbito familiar, como no escolar e no social.
Por fim, tenta-se escamotear, de todos os modos, a verdade. Se alguém a diz, com certo vigor, é acusado e condenado pelos tribunais por difamação e deve uma indenização por 'danos morais'. Calam-se judicialmente as vozes dos profetas, sem nenhuma atenção à verdade.
A Igreja foi derrotada? Ou é a própria humanidade que está perdendo o referencial das grandes causas?
Na verdade, a Igreja tenta fazer parceria com a sociedade para solidificar os grandes princípios, com leis que sejam adequadas. Quando não consegue e seus esforços ficam frustrados nesse campo, quando se dá conta de que, antes das leis, o próprio Deus foi afastado daqueles setores, Ela sente necessidade de recuar para reagrupar suas forças lá onde está sua essência: na fé e na mística, no amor e na sua confiança. Ela sabe que nenhuma lei, por si, salva. Por isso, sentindo-se, junto com a própria humanidade, derrotada no plano das leis, reafirma sua convicção de base. Conta com a graça divina e com o empenho da evangelização, na certeza de que um outro mundo é possível e está em gestação.
De fato, quando se apregoa que, em matéria de sexo, não existe o certo e o errado, sente-se, em contraposição, um esforço cada vez maior de valorizar a castidade e de apregoar os verdadeiros valores morais, como fonte de segurança e felicidade; quando as famílias se sentem desamparadas pelas leis e sentem que elas carregam um peso muitas vezes superior aos casais fiéis, começa-se a incutir nos filhos a necessidade de fidelidade para a qual elas não foram educadas nem amparadas; quando se perdeu o controle da educação, reaparece a necessidade de novos métodos; quando as mentiras provocam guerras e desavenças, volta a convicção de que só a verdade liberta; quando o respeito pela vida desceu a níveis baixíssimos, a tendência é de voltar a preservá-la em todos os níveis, custe o que custar...
sábado, 3 de janeiro de 2009
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