sábado, 3 de janeiro de 2009

ALÉM FRONTEIRAS - Dom Dadeus Grings, Arcebispo de Porto Alegre-RS

Desde o início, a fé cristã está empenhada em reunir seus fiéis em comunidades. São Lucas descreve a condição dos primeiros cristãos como perseverantes na doutrina dos Apóstolos, nas reuniões em comum, na fração do pão e nas orações (At 2,42). Chega a dizer que "a multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma" (At 4,32).
As comunidades cristãs caracterizam-se por três notas fundamentais: reúne-as a mesma fé, o mesmo culto e igual caridade. A dimensão da fé recebe o aval dos grandes sábios e dos Concílios, que a explicitam para cada época e definem, com precisão, seu conteúdo. A dimensão do culto é amplamente elaborada pela liturgia, que reúne, em belas e piedosas celebrações, os fiéis; e a dimensão da caridade organiza-se num estupendo atendimento humano, a ponto de se poder dizer, com S. Lucas, que entre eles não havia necessitados (Lc 4,34).
A teologia da comunidade cristã, resultante da concepção da Igreja, Corpo Místico de Cristo, recebeu amplo incentivo, principalmente no século XX. No Brasil tentou-se algo novo neste campo, com a criação das Comunidades Eclesiais de Base, como concretização do Evangelho e da vida cristã. Foram apresentadas como o novo jeito de ser Igreja.
Se a necessidade de calcar a unidade da Igreja e firmar sua vivência comunitária é indispensável para a profissão da fé, ela certamente não é suficiente. Uma comunidade, que se fechasse totalmente sobre si mesma, não seria católica. Por isso, nem autêntica expressão da fé cristã. Não poderia celebrar o culto de Cristo. Nem seria expressão da caridade cristã. O Concílio Vaticano II nos garante que a Igreja é essencialmente missionária. Foi criada e existe para evangelizar. É o Corpo de Cristo que deve crescer na dimensão do mundo.
Os Atos dos Apóstolos dão-nos o modelo da Igreja, que saiu do Cenáculo de Jerusalém, na manhã de Pentecostes, e se estende até os confins do mundo. Os Apóstolos são constituídos testemunhas da ressurreição do Senhor e enviados a fazer discípulos todos os povos.
No episódio dos discípulos de Emaús, Lucas aponta o método e a meta. Jesus, ao ser reconhecido pelos dois peregrinos de Jerusalém, quando lhes parte o pão, desapareceu de sua vista. Já lhes tinha explicado as Escrituras e se revelado vivo e ressuscitado. Se Ele ficasse mais tempo com eles, não há dúvida, que não arredariam pé do lugar. Estar com Ele é o desejo supremo e definitivo. Mas, desaparecendo de seus olhos, eles se sentiram impelidos a anunciá-lo aos outros: correram pressurosos para Jerusalém. Tornaram-se missionários. Sentiram a necessidade de surpreender os demais discípulos com esta notícia: Ele está vivo! Estamos salvos! (Lc 24,13 ss).
Mas a Igreja não é feita de discípulos isolados. Lucas nos dá o modelo na comunidade de Antioquia, para nos fazer entender a natureza de todas as comunidades cristãs. Afinal, ali os discípulos começaram a ser chamados cristãos (At 1 l; 26).
Após descrever a organização dessa comunidade, na qual havia profetas e doutores, refere que, durante o culto, o Espírito Santo pediu que "lhe fossem separados Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho destinado". Os dois não partem por iniciativa própria, mas por vocação do Espírito e enviados pela Comunidade, à qual, depois, voltarão para a prestação de contas da missão (At 13, 2).
Uma comunidade que se fecha sobre si mesma, na qual não nascem vocações sacerdotais, religiosas e missionárias, não é cristã. Não está evangelizada. Ou invertendo, na medida em que, dentro da comunidade, brotarem vocações para o ministério e para as missões além de suas fronteiras, ela própria vai aprofundando sua fé, tornando mais frutuoso seu culto e crescendo em unidade e caridade. Sua convivência cristã adquire nova feição e ela se sente realizada, pela total participação na plenitude da graça e da verdade de Cristo. Universalizando-se, a Comunidade se torna não só mais católica, mas também mais una e santa. Por meio de cada membro que dela sai para as missões, Deus lhe concede dez novas e autênticas lideranças, que a irão renovar constantemente.
Porto Alegre assumiu, como Igreja-Irmã, a prelazia do Xingu. Nosso empenho missionário pela Amazônia se concretiza ali com o envio de missionários, de recursos financeiros e de orações.

João Paulo II e a Vida Consagrada - Dom Aloísio Lorscheider

1.Muitas vezes nestes 25 anos de pontificado João Paulo II se manifestou a respeito da vida consagrada. Falou às mais diversas Ordens, Congregações, Institutos, sobretudo, por ocasião dos Capítulos Gerais. Em todas essas oportunidades a preocupação do Papa tem sido com a fidelidade dos consagrados ao próprio carisma, à própria espiritualidade e à própria missão, tendo sempre em vista a evangelização do mundo de hoje. O mundo necessita do consagrado. É um dos preciosos elementos que leveda a massa toda.
2. Um resumo das palavras do Papa temos no documento pós-sinodal de 25 de março de 1995 “Vita Consecrata”. Trata-se de uma vida profundamente arraigada nos exemplos e ensinamentos de Nosso Senhor. Ela é um dom de Deus Pai à sua Igreja por meio do Espírito Santo. A profissão dos conselhos evangélicos, característica da vida consagrada, faz com que os traços de Jesus pobre, virgem, obediente, adquiram especial visibilidade no meio do mundo. A vivência dos conselhos evangélicos atrai o olhar dos fiéis para o mistério do Reino de Deus atuante na história com a sua plena realização no fim dos tempos.É um caminho de especial seguimento de Cristo. É um deixar tudo para estar com Cristo e colocar-se com Ele ao serviço de Deus e dos irmãos.
A vida consagrada diz respeito a toda a Igreja; não é uma realidade isolada e marginal. Está colocada no próprio coração da Igreja. É elemento decisivo para a sua missão, já que exprime a íntima natureza da vocação cristã e a tensão da Igreja-Esposa para a união com o único Esposo. A vida consagrada faz parte da vida, santidade e missão da Igreja.
3. Quando em 1994, ano do Sínodo sobre a vida consagrada e a sua missão na Igreja e no Mundo, os jornalistas perguntaram se, no final do milênio, não havia assunto mais importante do que este, respondeu-se-lhes que este era um assunto importantíssimo para o mundo de hoje porque o que mais faltava ao mundo era um suplemento de alma, uma espiritualidade, uma mística. Ora, com a vida consagrada deseja-se ajudar o mundo neste suplemento de alma, nesta espiritualidade, nesta mística. A profissão dos conselhos evangélicos coloca os consagrados como sinal e profecia para a comunidade dos irmãos e irmãs e para o mundo.
4. O aprofundamento da vida consagrada deve acontecer em uma tríplice dimensão: a da consagração, da comunhão e da missão.
4.1. A consagração só pode ser bem entendida na luz da consagração eucarística. O que acontece na consagração eucarística? Aí temos a mudança total do pão no corpo de Cristo e do vinho no sangue de Cristo. Ora, a consagração religiosa é mudança total da pessoa em Jesus Cristo. A existência humana da pessoa se transfigura, se transforma, se converte, se muda, totalmente em Jesus Cristo. É entrega total a Nosso Senhor: é acolhimento total de Cristo na própria vida e na vida da Igreja. O consagrado faz de Cristo o sentido total da própria vida; preocupa-se em reproduzir, na medida do possível, “aquela forma de vida que o Filho de Deus assumiu ao entrar no mundo” (Lumen Gentium, 44). Às pessoas de vida consagrada Cristo pede uma adesão total, que implica o abandono de tudo (cf Mt 19,27), para viver na intimidade com Ele e segui-LO para onde quer que Ele vá (Apc 14,4).
A vida consagrada é, por isso, ícone da Transfiguração de Jesus no monte Tabor. É configuração a Cristo, é cristiformidade, prolongamento na história de uma presença especial do Senhor ressuscitado.
4.2. Comunhão... A vida consagrada é comunhão vista na luz da SS. Trindade. O Pai que, comunicando ao Filho a sua numericamente mesma natureza divina, comunga com o Filho por geração; o Pai e o Filho, comunicando ao Espírito Santo a sua mesma numericamente natureza divina, comungam com o Espírito Santo por espiração. Esta comunhão reflete-se na criatura racional através da Igreja que é povo de Deus a partir da unidade (=comunhão) do Pai, do Filho e do Espírito Santo.Comunhão em Deus é abertura: o Pai está todo para o Filho; o Pai e o Filho estão todo para o Espírito Santo. Este “estar todo de um para o outro” é abertura de uma Pessoa Divina à outra. Assim também a comunhão eclesial é abertura das pessoas entre si, e isto especialmente na vida consagrada. A vida fraterna na vida consagrada apresenta-se como espaço humano habitado pela SS. Trindade, que difunde assim na história os dons da comunhão próprios das três Pessoas Divinas. A vida consagrada é um dos rastos concretos que a Trindade deixa na história para que os seres humanos possam sentir o encanto e a saudade da beleza divina.
4.3. Missão... A missionariedade está inscrita no coração mesmo de toda a forma de vida consagrada. Na medida em que o consagrado viver uma vida dedicada exclusivamente ao Pai (cf Lc 2,49; Jo 4, 34), cativada por Cristo (cf Jo 15, 16; Gal 1,15-16), animada pelo Espírito Santo (cf Lc 24,29; Atos 1,8; 2,4) ele coopera eficazmente para a missão do Senhor Jesus (cf Jo 20,21), contribuindo poderosamente para a renovação do mesmo.As pessoas consagradas serão missionárias aprofundando continuamente a consciência de terem sido chamadas e escolhidas por Deus, para quem devem orientar toda a sua vida e oferecer tudo o que são e possuem, libertando-se dos obstáculos que poderiam retardar a resposta total do amor. Também o seu estilo de vida deve deixar transparecer o ideal que professam, sendo sinal vivo do Deus vivo e pregação persuasiva, mesmo que muitas vezes silenciosa, do Evangelho.
Conclusão
5. A vida consagrada faz parte intrínseca do Evangelho. Ela brota do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. É vivência a mais plena possível do Evangelho. Ela faz parte da estrutura carismática da Igreja, faz parte da vida e santidade da Igreja (Lumen Gentium, 44), santidade que é uma das notas essenciais da Igreja: Una Santa Católica Apostólica. Sem a vida consagrada a Igreja deixaria de ser Igreja, ver-se-ia privada de uma das notas essenciais do seu próprio ser íntimo. A Igreja produz santidade (a plenitude dos meios de salvação é confiada à Igreja) e ordena-se à santidade.Não hesitemos! Trabalhando pela difusão da vida consagrada estamos trabalhando para uma nova primavera eclesial!Dom Aloísio LorscheiderArcebispo de Aparecida-SP
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Agonia de Jesus

Relato de um médico francês Dr.Barbet , professor-cirurgião, sobre a agonia de Jesus Cristo , reconstituindo as dores sofridas por Ele, em nosso lugar .
"Sou um cirurgião, e dou aulas há algum tempo.Por treze anos vivi em companhia de cadáveres e durante a minha carreira estudei anatomia a fundo. Posso portanto escrever sem presunção a respeito de morte, como a de Jesus.

"Jesus entrou em agonia no Getsemani e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra". O único evangelista que relata o fato é um médico, Lucas.E o faz com a precisão de um clínico. O suar sangue, ou "hematidrose", é um fenômeno raríssimo. É produzido em condições excepcionais : para provocá-lo é necessário uma fraqueza física, acompanhada de um abatimento moral violento causado por uma profunda emoção, por um grande medo. O terror, o susto, a angústia terrível de sentir-se carregando todos os pecados dos homens devem ter esmagado Jesus. Tal tensão extrema produz o rompimento das finíssimas veias capilares que estão sob as glândulas sudoríparas, o sangue se mistura ao suor e se concentra sobre a pele, e então escorre por todo o corpo até a terra.
Conhecemos a farsa do processo preparado pelo Sinédrio hebraico, o envio de Jesus a Pilatos e o desempate entre o procurador romano e Herodes.
Pilatos cede, e então ordena a flagelação de Jesus. Os soldados de despojam Jesus e o prendem pelo pulso a uma coluna do pátio. A flagelação se efetua com tiras de couro múltiplas sobre as quais são fixadas bolinhas de chumbo e de pequenos ossos. Os carrascos devem ter sido dois, um de cada lado, e de diferente estatura. Golpeiam com chibatadas a pele, já alterada por milhões de microscópicas hemorragias do suor de sangue. A pele se dilacera e se rompe; o sangue espirra. A cada golpe Jesus reage em um sobressalto de dor. As forças se esvaem; um suor frio lhe impregna a fronte, a cabeça gira e vem uma vertigem de náusea, calafrios lhe correm ao longo das costas. Se não estivesse preso no alto, pelos pulsos, cairia em uma poça de sangue.
Depois do escárnio da coroação. Com longos espinhos, mais duros que os de acácia, os algozes entrelaçam uma espécie de capacete e o aplicam sobre a cabeça. Os espinhos penetram no couro cabeludo fazendo-o sangrar ( os cirurgiões sabem o quanto sangra o couro cabeludo ).
Pilatos, depois de ter mostrado aquele homem dilacerado à multidão feroz, o entrega para ser crucificado. Colocam sobre os ombros de Jesus o grande braço horizontal da cruz; pesa uns cinqüenta quilos . A estaca vertical já está plantada sobre o Calvário. Jesus caminha com os pés descalços pelas ruas de terreno irregular, cheias de pedregulhos. Os soldados o puxam com as cordas. O percurso, é de cerca de 600 metros. Jesus, fatigado, arrasta um pé após o outro, freqüentemente cai sobre os joelhos. E os ombros de Jesus estão cobertos de chagas. Quando Ele cai por terra, a viga lhe escapa, escorrega, e lhe esfola o dorso. Sobre o Calvário tem início a crucificação. Os carrascos despojam o condenado, mas a sua túnica está colada nas chagas e tirá-la produz dor atroz. Quem já tirou uma atadura de gaze de uma grande ferida percebe do que se trata. Cada fio de tecido adere à carne viva ; ao levarem a túnica, se laceram as terminações nervosas postas em descoberto pelas chagas. Os carrascos dão um puxão violento. Há um risco de toda aquela dor provocar uma síncope, mas ainda não é o fim.
O sangue começa a escorrer. Jesus é deitado de costas, as suas chagas se incrustam de pedregulhos. Depositam-no sobre o braço horizontal da cruz. Os algozes tomam as medidas. Com uma broca é feito um furo na madeira para facilitar a penetração dos pregos. Os carrascos pegam um prego ( um longo prego pontudo e quarado ), apóiam-no sobre o pulso de Jesus, com um golpe certeiro de martelo o plantam e o rebatem sobre a madeira. Jesus deve ter contraído o rosto assustadoramente. O nervo mediano foi lesado. Pode-se imaginar aquilo que Jesus deve ter provado; uma dor lancinante , agudíssima, que se difundiu pelos dedos, e espalhou-se pelos ombros, atingindo o cérebro. A dor mais insuportável que o homem pode provar, ou seja, aquela produzida pela lesão dos grandes troncos nervosos : provoca uma síncope e faz perder a consciência. Em Jesus não. O nervo é destruído só em parte : a lesão do tronco nervoso permanece em contato com o prego, quando o corpo é suspenso na cruz, o nervo esticará fortemente como uma corda de violino esticada sobre a cravelha. A cada solavanco, a cada movimento, vibrará despertando dores dilacerantes. Um suplício que durará três horas.
O carrasco e seu ajudante empunham a extremidade da trava; elevam Jesus, colocando-o primeiro sentado e depois em pé; conseqüentemente fazendo-o tombar para trás, o encostam na estaca vertical. Os ombros da vítima esfregam dolorosamente sobre a madeira áspera. As pontas cortantes da grande coroa de espinhos penetram o crânio. A cabeça de Jesus inclina-se para a frente, uma vez que o diâmetro da coroa o impede de apoiar-se na madeira.
Cada vez que o mártir levanta a cabeça, recomeçam pontadas agudas de dor. Pregam-lhe os pés. Ao meio-dia Jesus tem sede. Não bebeu desde a tarde anterior. Seu corpo é uma máscara de sangue. A boca está semi-aberta e o lábio inferior começa a pender. A garganta, seca, lhe queima, mas ele não pode engolir. Tem sede . Um soldado lhe estende sobre a ponta de uma vara, uma esponja embebida em bebida ácida, em uso entre os militares. Tudo aquilo é uma tortura atroz. Um estranho fenômeno se produz no corpo de Jesus. Os músculos dos braços se enriquecem em uma contração que vai se acentuando : os deltóides , os bíceps esticados e levantados, os dedos, se curvam. É como acontece a alguém ferido de tétano. A isto que os médicos chamam titânia, quando os sintomas se generalizam : os músculos do abdômen se enrijecem em ondas imóveis, em seguida aqueles entre as costelas, os do pescoço , e os respiratórios. A respiração se faz, pouco a pouco mais curta. O ar entra com um sibilo, mas não consegue mais sair. Jesus respira com o ápice dos pulmões. Tem sede de ar : como um asmático em plena crise, seu rosto pálido pouco a pouco se torna vermelho, depois se transforma num violeta purpúreo e enfim em cianítico.
Jesus é envolvido pela asfixia. Os pulmões cheios de ar não podem esvaziar-se. A fronte está impregnada de suor, os olhos saem fora de órbita. Mas o que acontece ? Lentamente com um esforço sobre-humano , Jesus toma um ponto de apoio sobre o prego dos pés. Esforça-se a pequenos golpes, se eleva aliviando a tração dos braços. Os músculos do tórax se distendem. A respiração torna-se mais ampla e profunda, os pulmões se esvaziam e o rosto recupera a palidez inicial.
Por que este esforço ? Porque Jesus quer falar: "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem".
Logo em seguida o corpo começa afrouxar-se de novo, e a asfixia recomeça.
Foram transmitidas sete frases pronunciadas por Ele na cruz : cada vez que falou, elevou-se, tendo como apoio o prego dos pés. Inimaginável !
Atraídas pelo sangue que ainda escorre e pelo coagulado, enxames de moscas zunem ao redor do seu corpo, mas Ele não pode enxotá-las.
Pouco depois o céu escurece, o sol se esconde : de repente a temperatura diminui. Logo serão três da tarde, depois de uma tortura que dura três horas. Todas as suas dores, a sede, as cãibras, a asfixia, o latejar dos nervos medianos, lhe arrancam um lamento : "Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonastes?". Jesus grita : "Tudo está consumado !". Em seguida num grande brado diz: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito". E morre .(Dr.Barbet)
E morre, no meu lugar e no seu . Não façamos dessa morte , que trouxe nova vida a todos nós, uma morte sem nexo. Está em você , dentro de você o espírito de Jesus.
Ame-o e glorifique-o todos os dias da sua vida.
E...Que o Amor Único de Deus, Inspire sempre
todas as Almas para o Bem...(Antonio de Aquino)

A firmeza cristã - Côn. José Geraldo Vidigal

Uma das diretrizes que Jesus Cristo deixou para seus discípulos de suma importância para o tempo e para a eternidade foi registrada por São Lucas: “É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!” (Lc 21,19) A constância envolve toda a existência humana e alavanca o progresso material e espiritual do ser pensante. Trata-se de uma energia que leva à perseverança no cumprimento do dever cotidiano, na prática de todas as virtudes, na fidelidade aos ensinamentos bíblicos e à Igreja. Leva a lutar, mesmo por entre grandes sofrimentos, sem ceder nunca à fadiga, ao desânimo, à apatia. No contexto atual, quando os meios de comunicação social fazem a cabeça de tantos incautos, ser firme é ser salvo de inúmeros males. O comodismo que se difunde com os recursos de uma técnica colocada a serviço da fratura de uma personalidade amadurecida no bem, os ataques fortuitos aos valores evangélicos, a tendência à procura de novidades até no que diz respeito ao culto religioso, tudo isto, está a exigir que o referido ensinamento do Mestre divino seja mais levado a sério. Não é fácil enfrentar as dificuldades que impedem o verdadeiro progresso pessoal e social. A solidez da virtude, porém, requer perseverança num ritmo de esforços contínuos que fixa hábitos salvíficos. O tédio que se apossa de tantos espíritos fracos é o grande obstáculo, dado que muitos se deixam levar por uma variabilidade que os torna volúveis, instáveis, inconstantes. Entretanto que o fastio diante dos desafios existenciais é um mal do qual cada um precisa se livrar, sendo o seu próprio psicólogo, para que a graça divina possa eficazmente atuar, dado que Deus quer a cooperação inteligente de seus filhos. Para isto é impregnar a mente de pensamentos positivos que fluem de tantos textos bíblicos que asseveram que o Ser Supremo é Pai que está sempre perto de suas criaturas racionais. Energizar a vontade através de idéias construtivas, otimistas é um mecanismo que os santos souberam empregar com grande sapiência, apartando todo e qualquer desânimo. O abatimento que apossa de tantos espíritos e que pode se transformar numa deletéria depressão é o fruto amargo de quem não procura morar na casa da esperança. Nas ondas da desesperança tantos cristãos aportam nas praias da decadência moral e se vêem envoltos na miséria física e espiritual. Jesus convida a uma atitude corajosa, à pugna contra a debilidade. Para isto a oração, unida a um propósito de uma correspondência leal às inspirações divinas, é o grande meio. Neste sentido Maria, a Mãe de Jesus, a Virgem fiel, aquela que nunca abandonou as veredas da santidade mais eminente, é auxílio, exemplo e garantia de êxito total no combate ao esmorecimento. Ela impede aqueles vacilos que podem ser fatais e dá ardor renovado a cada hora. Inabalável em suas convicções religiosas, o verdadeiro cristão transforma sua vida numa ascensão contínua nas veredas da perfeição. Afasta destemidamente a timidez, o pessimismo e permanece estável quer nos momentos de euforia, quer nos instantes das provações, venham de onde for. Ancorado nas magnas verdades da fé todo batizado, dotado de profunda convicção, é capaz de grandes feitos, fundindo nos bronzes da virtude as mais pulcras glórias humanas. Não fica ao léu das paixões, ao acaso de suas veleidades; ao sabor de suas manias deletérias; ao capricho das opiniões errôneas, ao bel-prazer dos atrativos mundanos. Atento, sempre de atalaia para não ser presa fácil das insinuações diabólicas, de sobreaviso contras as invectivas dos corifeus dos erros; à espera do inimigo para vencê-lo, à espreita das dificuldades para as superar. O temor de perder a Deus e sua complacência é sólido alicerce para tudo isto, porque imerge naquele amor ao Criador que levou Paulo de Tarso a asseverar: “nem a morte, nem a vida, nem os anjos [...] nem as coisas presentes, nem as futuras, nem a violência [...] nem criatura alguma nos poderá separar do amor de Deus em Jesus Cristo Nosso Senhor” (Rm 8. 38-39). Firmeza para ganhar um lugar lá no céu!

Professor no Seminário de Mariana - MG
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Traição: Que Sentimento é Este? - Côn. Manuel Q. Azevedo

“A traição é a maior dívida que temos para com a consciência, o coração e os sentimentos’(Côn. Manuel)O ser humano tem bens, propriedades, valores que lhe são comuns e importantes. Dentro destes, acredito que os sentimentos sejam os mais sensíveis, oferecendo-lhes uma disposição afetiva engrandecendo a emoção e estrutura pessoal. Todos os sentimentos ocupam um lugar de destaque. Uns fortalecem o interior, vale dizer, a consciência, os sentimentos e o coração. Outros o exterior, isto é, o caráter, a personalidade e o jeito de ser. Essa riqueza lidera, orienta e coordena todo o humanitário.
Dentro desta esfera queremos munir idéias que vão guarnecer a pessoa a refletir sobre a traição, sentimento este, que denuncia tanto interior como exteriormente a infidelidade do amor, não só no campo dos relacionamentos, mas também em toda a extensão familiar, social e comunitária. Como nos diz Santo Agostinho: “Sentimento é peso e força que impele a pessoa a canalizar as energias para um determinado objetivo”. Num mundo globalizado, onde o tudo é possível, e o digital hipnotiza os interesses, a traição desafia a confiança. Tudo induz a um subjacente. Os comportamentos se predispõem a colocar o homem encurvado perante as articulações onde ele perde o controle do equilíbrio, da dignidade, lesando aqueles que o rodeiam. Hoje se fala tanto em falência.
A traição é o caminho mais seguro que executa e generaliza a maldade, administrando dentro do ser humano a empresa mais deteriorante, engrossando lucros como magoa, tristeza, dor e tantas coisas mais. A traição afasta a pessoa da consciência. Seus sentimentos ficam algemados, impossibilitados de realizarem o que todo o mundo quer, a integridade. O coração é seqüestrado e jamais oferece a vida por inteiro ao lar, à família, à sociedade, à comunidade. A traição proporciona a mais alta graduação dos valores degradantes, dilacerando o caráter, empilhando a personalidade em alicerces preocupantes e, sobretudo, desarticula o jeito de ser da pessoa, pois esse (a) não é mais o mesmo (a). Esta perfídia (a traição) é a grande promissora das concordatas para os grandes “eventos” como: divórcios, desquites, destruição dos lares e ruína da sociedade. Acredito que você não quer isso. Giuseppe Colombero no seu livro Caminho de cura interior nos permeia com uma passagem impressionante. Ao citar o livro de Ezequiel – profeta que viveu aproximadamente no ano 600 a. C. um dos períodos mais conturbados da história de Israel -, lê-se que Deus disse a seu povo: “Eu vos purificarei; dar-vos-ei um coração novo, porei no vosso íntimo um espírito novo, tirarei do vosso peito o coração de pedra e vos darei um coração de carne” (Ez 36,25ss). Aqui podemos ver como Deus se apresenta como um excepcional cirurgião cardíaco. É o primeiro caso de...transplante de coração de que se tem notícia na história da medicina. Assim fala o autor. Prezado leitor, faça deste artigo um grande momento para se encontrar com sua consciência, visitar seus sentimentos e ter uma conversa séria com seu coração. Não esqueça de rever seu caráter, de abrir espaço para a sua personalidade e melhorar seu jeito de ser. Confia na misericórdia de Deus. Ela o acolhe e se compromete a fazer de você uma nova criatura. Tudo está na sua decisão. Não seja o Cras, palavra latina que quer dizer amanhã, mas o Hodie - hoje, que Santo Expedito pisoteando o corvo da maldade o tentava. Não faça da traição um Cras, para resolver amanhã. Enfrenta-a hoje (Hodie) e serás feliz. Pensemos nisso.Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedohttp://www.entreredes.org.br/index.php?op=conteudo&wcodigo=13793

Paz e ternura para construir um mundo melhor

Começo minha mensagem para 2004, fazendo um convite a todos para que se reeduquem para a paz, sejam pessoas de paz, homens e mulheres de amor. Temos que, mudar esse mundo, plantando em nós mesmos a paz e o amor para que todos que nos cercam possam colher ternura.A mensagem do Papa João Paulo II para o dia 1º de janeiro, Dia Mundial da Paz, é uma continuação de toda sua pregação, doação, quase imolação pela paz nos seus 25 anos de pontificado. O conteúdo das mensagens do Papa é um verdadeiro e belíssimo tratado de como o mundo deveria ser se vivesse em paz. Ele salienta que para viver de forma harmoniosa, o mundo precisa ter um compromisso: educar para a paz. Em sua mensagem, o Papa se dirige também às pessoas que lidam com direito internacional, principalmente na área de direitos humanos. Ele diz assim: “a vós juristas empenhados em traçar caminhos de pacífico entendimento, preparando convenções e tratados que reforçam a legalidade internacional...” Poderíamos dizer que o arcabouço de se fazer a paz tem caminhado, mas o problema é o pecado.Pecado de quem desobedece, de quem não quer colaborar, de quem faz guerra sem consentimento, de quem joga fora os tratados internacionais de não-agressão e outros. João Paulo II defende que é necessário educar todos os chefes das nações, porque eles têm o dever de promover a paz. Falando de educação, o Papa também quer tocar o coração dos educadores da juventude, que incansavelmente, vivem formando consciências, no caminho da compreensão e do diálogo.Depois, ele se dirige aos homens e às mulheres “tentados em recorrer ao inadmissível instrumento do terrorismo, comprometendo assim pela raiz a causa pela qual se combate”. João Paulo II pede que todos escutem o apelo humilde do sucessor de Pedro, que clama: a paz ainda é possível. A gente teria que sublinhar isso, na nossa própria consciência. E ele acrescenta que se a paz é possível, então ela é também um dever.Na sua primeira mensagem para o Dia Mundial da Paz, no início de janeiro de 1979 – lembremos que ele tomou posse em 1978- o Papa falava: “alcançar a paz, educar para a paz”. Depois de 25 anos, ele volta a esse mesmo tema. “Até agora, não cessei de levantar a voz diante da Igreja e do mundo para convidar os crentes, bem como todas as pessoas de boa vontade, a abraçarem a causa da paz, contribuindo para a realização deste bem primário e, deste modo, assegurando ao mundo, uma era melhor de serena convivência e respeito mútuo”, escreve o Santo Padre.Assim, ele nos convida a todos para a paz. A paz que começa dentro de nós. É uma mensagem que merece ser refletida, no sentido de se procurar essa ciência da paz, esse dicionário da paz que acabam sendo todas as mensagens do Papa João Paulo II. Repete um pouquinho o que o Papa João XXIII falou na encíclica Pacis in terris, que destaca os quatro pilares primordiais para a construção da paz: verdade, justiça, amor e liberdade. Um canteiro da paz dentro de nós Tudo isto nos dá uma idéia da nossa obrigação de fazer com que a paz entre bem dentro das nossas vidas, quase que numa floração bonita do que é verdadeiramente ser cristão. Quero juntar a essa idéia de paz uma sensação muito bonita, que me veio um pouco antes do Natal, e que acho que talvez seja o canteiro verdadeiro da paz dentro de cada um de nós: falo da ternura. Estou convencido de que o mundo vai se salvar pela ternura, ou seja, é justamente essa força profundíssima de descer ao coração das pessoas e, ao mesmo tempo, receber delas o retorno desse sentimento.A gente pode pensar que ternura é uma coisa fraca, um jeito terno. Não, é muito forte. Não só forte, mas uma espécie de alimento de todos os momentos, de todos os dias. O que é ternura? É eu soltar meu coração de bondade sobre uma pessoa e ela me dar como retorno a ternura. Tenho dado um exemplo, dos mais cativantes, de ternura. Outro dia, eu estava numa missa e havia uma mãe com seu filhinho, de 1 a 2 anos de idade, nos braços. A mãe acariciava a criança e ela estava feliz por ser acariciada. Foi quando vi então o que fez a criancinha: foi no rosto da mãe e deu um beijo. Ternura que vai e a ternura que volta. Isso existe, profundamente, dentro de cada um de nós. É um canteiro que a gente tem que plantar a cada momento.Deixaria essa mensagem do Papa para vocês, que é muito maior e entra em problemas de direito internacional e nessa chaga funesta do terrorismo. Fala do contributo da Igreja e sonha com essa civilização do amor. Eu, para ser bem mais concreto, diria dessa civilização ou dessa vivência verdadeiramente da ternura. Essa é mensagem que gostaria de enviar a vocês neste ano que está começando. Pensem: como seria o mundo se cada coração humano se tornasse, verdadeiramente, um canteiro de carinho, de bondade e de ternura?
Dom Serafim Cardeal Fernandes de AraújoArcebispo Metropolitano de Belo Horizonte
http://www.arquidiocese-bh.org.br/artigo/artigo.asp?id=101

João Paulo II - Hoje e sempre

Por toda a Igreja, perpassa neste mês de outubro visível alegria pelo jubileu de prata do pontificado do Santo Padre João Paulo II. É sentimento de alegria familiar, este tipo de alegria que todos nós já experimentamos em nossas casas, quando nos reunimos ao redor de nossos pais, avós ou parentes próximos. Todos queremos abraçá-lo. O mundo inteiro quer abraçá-lo. A Igreja toda quer manifestar-lhe seu amor filial e sua incontida admiração. Como bispo e cardeal, tive o privilégio de sentir-me muito perto dele. Até mesmo na sua intimidade. Sua visita a Belo Horizonte, em 1º de julho de 1980, iniciou em mim um sentimento de admiração, que, num crescendo permanente, me levou a colocá-lo no pedestal do meu coração, não só para admirá-lo, mas também para transformá-lo num modelo a seguir e a tentar imitar. Mas, longe de mim pensar que o consegui: sua grandeza aumenta diariamente e eu me vejo muito pequeno diante dele.Aqui em Minas, nós estamos habituados a conviver com as montanhas. Quando delas nos distanciamos, nós as contemplamos na sua totalidade; mas, quando delas nos aproximamos, admiramos sua beleza e imponência e nos sentimos pequenos e insignificantes. Assim acontece quando, em Ouro Preto, contemplo o pico do Itacolomi ou, no Caraça, o nosso Caraça, olho o pico da Verruguinha ou o vulto do Gigante: admiro-lhes a grandiosidade e me sinto pequeno diante deles. E toda a Igreja sabe sobejamente que o nosso Papa é um gigante do Evangelho e um destaque notável na série de sumos pontífices de todos os tempos. Não há necessidade de recordar ou repetir as estatísticas do seu fecundo pontificado. Elas são por demais conhecidas. Lembremos as centenas de canonizações e beatificações; viagens, audiências particulares e públicas, criações de dioceses e nomeações de bispos; encíclicas sobre temas da atualidade os mais diversos, mensagens adaptadas a auditórios diferenciados, discursos em variadas línguas, por ele dominadas como nunca o foram por outro pontífice, antes dele; atuação serena e clara com orientação segura em intrincadas situações políticas internacionais, liderança no reto ecumenismo... enfim, neste montante extraordinário de atividades do ministério petrino temos que reconhecer que "Aquele que é, que era e que vem, o Todo-poderoso" (Apoc. 1,8) velou com especial carinho e sabedoria pela Igreja de hoje, que é semente da Igreja de amanhã. Esta terá que debruçar-se sobre os escritos do nosso Papa nos próximos decênios, para poder sorver neles as orientações para continuar sendo a "luz do mundo e o sal da terra".Foi talvez pensando no futuro da humanidade que o nosso Papa demonstrou especial carinho para com os jovens, dos quais recebeu espontânea resposta eivada de entusiasmo. O nosso saudoso Dom Lucas Moreira Neves, no seu livro "A Sarça Ardente", escreveu uma crônica, como era de seu estilo, muito viva e agradável, com o título: "Um ancião cativa os jovens", comentando quando mais de 600 mil jovens ouviram, aclamaram e se emocionaram, reunidos junto à torre Eiffel, em Paris, "o ancião trêmulo e trôpego, envelhecido antes do tempo no seu físico, embora indômito no seu espírito... esse líder ao qual os jovens se rendem... numa Paris estarrecida e incapaz de entender o que está vendo" (pág. 27). E Dom Lucas se pergunta: Qual o segredo dessa inexplicável liderança e fascinação que está na sua raiz? E responde: "o segredo está em duas coisas: no modo como se comporta com os jovens e os trata e, depois, no conteúdo que lhes transmite cada vez que a eles se dirige e lhes fala". Quando, na velha Gregoriana, com os mestres jesuítas, estudava a história da Igreja, chamou-me a atenção a observação de um deles que nos mostrava como a Divina Providência colocava no trono de Pedro a pessoa certa, embora os homens muitas vezes interferissem negativamente, contrariando os planos de Deus. Na longa série de pontífices romanos, pontilhada de santos, de mártires, de doutores, de missionários, em dois deles a posteridade observou uma grandiosidade excepcional. Leão I (440-461) é chamado da França, onde cumpria missão, para assumir o pontificado, numa conjuntura delicada, quando, progressivamente, o império no ocidente estava se esfacelando e a corrente maniqueísta contaminava o clero. No oriente pululavam as controvérsias teológicas, com crise monofisista, encabeçara pelo monge Êutiques. Os bárbaros conduzidos por Átila, tentavam invadir Roma e Leão I o deteve. Legou à Igreja 143 cartas, o Tomus ad Flavianum e cerca de 96 sermões homiléticos. A posteridade pasmou-se diante de sua personalidade gigantesca e o cognominou de Leão MAGNO.Gregório I (590-604), ainda jovem, foi prefeito de Roma. Convertido, transforma sua residência no monte Célio em mosteiro beneditino. Eleito papa, Roma está sendo dizimada pela peste e os Longobardos ameaçam a cidade eterna. Ele enfrenta e supera estes perigos, reorganiza a administração dos bens da Igreja, ampara e acolhe os pobre e inicia a missão ad gentes, enviando missionários à Britânia (Inglaterra). Com ampla atividade literária, escreveu numerosas cartas, 35 livros "de moralia in lob", o Liber regulae pastoralis, com atenta análise e descrição das virtudes a serem praticadas e vícios a serem evitados. Enfermo, continuou trabalhando e escrevendo e algumas homilias foram lidas em sua presença por um notário. Foram-nos conservadas 40 homilias sobre os evangelhos e 22 sobre Ezequiel, apresentando aos homens do seu tempo o difícil ideal da vida cristã. A posteridade foi justa, ao recordar sua atuação e o cognominou de MAGNO. E eu me pergunto: não estamos também nós diante de um pontífice MAGNO?
Cardeal Dom Serafim Fernandes de AraújoArcebispo da Arquidiocese de Belo Horizonte
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IGREJA VIVA: todos chamados à comunhão.

Amados e amadas de Deus!
A 2a. Assembléia do Povo de Deus, realizada em nossa Arquidiocese de Belo Horizonte, de 5 a 26 de Outubro de 2003, brindou-nos com sábias e ricas conclusões em torno de três prioridades: Espiritualidade de comunhão, Renovação da Comunidade e Questões sociais. Estas prioridades revelam e apontam, indiscutivelmente, as fontes da "novidade" que nossa Igreja precisa buscar para este tempo novo que precisamos começar a viver. Permanece agora o desafio de envolver toda nossa Igreja Particular, nos seus mais variados segmentos, nas diferentes instâncias de sua organização pastoral e na vida de cada pessoa, nas comunidades e diferentes ambientes, para refletir, discutir e definir o modo, o jeito e o nome dos passos novos para nossa ação evangelizadora nos próximos anos.
Vamos, então, viver um sério e empenhado processo de gestação do 'novo rosto e das novas dinâmicas' para nosso Projeto Pastoral, com adequada efetivação da ação evangelizadora em nossa Igreja. Temos uma história eclesial muito rica; contamos com experiências bem sucedidas, e muito significativo e consistente é o caminho percorrido até aqui. Tudo isso, nos dá boas condições para levarmos em conta, colaborando decisivamente, no momento novo que a Igreja do Brasil, através de sua Conferência Nacional dos Bispos, quer e precisa viver com o lançamento do Projeto Nacional "Queremos ver Jesus, Caminho, Verdade e Vida", final de outubro de 2003, na mesma época da conclusão de nossa 2a. Assembléia do Povo de Deus.
Somos todos convocados a participar decisivamente neste tempo novo para a vida de nossa Igreja. Nossa fidelidade e compromisso, com intuições criativas e pistas de ação, estão emoldurados pela maioria dos votos dos 1465 delegados da Assembléia Arquidiocesana, dentro das três prioridades acima citadas, com suas dez propostas e cinco destaques, acompanhados de orientações que explicitam e completam o sentido destas propostas. Bem assim, em comunhão com toda a Igreja do Brasil, que olha, com confiança,espera e precisa do sustento de nossas respostas, a Arquidiocese de Belo Horizonte tem compromissos com o Projeto Nacional de Evangelização.
Parece adequado dizer que as conclusões da 2a. Assembléia do Povo de Deus na Arquidiocese de Belo Horizonte é o chão do nosso novo caminho, e o Projeto Nacional de Evangelização, "Queremos ver Jesus, Caminho, Verdade e Vida", é o seu horizonte inspirador, com importantes balizamentos para uma ação missionária.
Este Caderno é um importante subsídio com encontros a serem realizados nos meses de maio, junho, agosto e setembro, apresentando o roteiro de oito encontros de estudos, refletindo o sentido da assembléia na caminhada de nossa Igreja Arquidiocesana (1o. encontro), a Espiritualidade (2o.e 3o. encontros), Vida comunitária (4o. e 5o. encontros), e Presença da Igreja na sociedade(6o. e 7o. encontros), com uma celebração de louvor e ação de graças no encerramento.
Esta é uma ajuda para facilitar a cada comunidade, paróquia, associação, movimento a lançar o olhar sobre o chão da nossa realidade social e eclesial, intuir novas respostas e propostas, gerando nosso novo Projeto Pastoral, à luz das conclusões de nossa Assembléia Arquidiocesana para os próximos anos. A conclusão deste processo será durante o mês missionário de outubro, dando-nos os elementos necessários para o trabalho de planejamento, entre 1o. de novembro e 15 de dezembro de 2004, para os anos seguintes. É muito importante que seja dada a oportunidade de escuta, discussão e propostas a todos. Este procedimento é importante pela riqueza das contribuições e como garantia do necessário consenso que a todos envolverá, a todos comprometendo pela participação efetiva, superando o risco de um caminho pensado e vivido fora da vida bem concreta das pessoas e de suas comunidades.
Este é o caminho que vamos fazer, convocando e pedindo a contribuição de todos. Não pode ficar fora o horizonte inspirador que os bispos do Brasil definiram no seu Projeto Nacional de Evangelização, um novo passo que a Igreja Católica no Brasil quer dar, dando continuidade às ricas experiências e conquistas do "Projeto Rumo ao Novo Milênio/PRNM", e do "Projeto Ser Igreja no Novo Milênio/SINM". Assim como em nossa 2a Assembléia do Povo de Deus as linhas básicas deste Projeto Nacional estão traçadas nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, 2003-2006, com seus objetivos, metas e eixos de sustento na Palavra de Deus, na Liturgia e na Caridade.
A grande exigência deste momento é repensar nossa ação pastoral de modo a criar condições para que a pessoa e a mensagem de Jesus Cristo sejam conhecidas de modo mais profundo e relevante para cada um. Este conhecimento não pode ser simples informação, "mas deve ser traduzido numa experiência íntima e mobilizadora, num encontro que dê sentido à vida das pessoas. Cada comunidade eclesial deve ser um espaço propício a esse encontro, um lugar onde as pessoas experimentem o amor de Jesus em ação". (Doc CNBB 72, introd.)
É necessário renovar o entusiasmo para ampliar e qualificar a ação missionária da Igreja, assumindo radicalmente a santidade de vida como sustento e força. Esta ação missionária precisa contar com a consciência batismal de todos os católicos, tornando-se cada um missionário, com sério investimento no anúncio querigmático da Palavra de Deus que precisa ganhar centralidade, garantindo uma sólida formação da fé e da vivência, por meio de uma linguagem direta, simples e eficaz, a exemplo da pregação de Pedro que provocou no coração de todos a mesma pergunta: "Irmãos, e nós o que devemos fazer?" (At 2,37).
Na verdade, esta é a hora de pensar um grande mutirão evangelizador para atingir os batizados que estão distanciados da vida da comunidade eclesial e aos grupos cristãos e religiosos em geral, particularmente os indiferentes, desanimados e aqueles que ainda não conseguimos servir com o anúncio do Evangelho de Jesus.
Este mutirão evangelizador precisa "ser para a Igreja um verdadeiro mergulho na fé e no amor. É hora de despertar para o entusiasmo missionário, que decorre desta fé e deste amor" (Doc 72/CNBB,2.1.)
"Queremos ver Jesus, Caminho, Verdade e Vida", desejo de todo coração humano, como daqueles gregos que Filipe e André ajudaram a dar nome e se concretizar, é a inspiração para nossa Igreja Católica dar respostas novas às novas questões e necessidades deste Terceiro Milênio.
Transcrevo, resumidamente, o testemunho de um bispo, para sublinhar a gravidade desta hora para ação evangelizadora da Igreja no seu compromisso missionário. "Anos atrás, contou um bispo, vivenciou um diálogo com um senhor de 38 anos, quando no metrô, num banco ao seu lado, ofereceu-lhe aquele um jornal: - Bom dia, aceita um jornal? - Sim, obrigado, respondeu o bispo. Logo percebeu que era um jornal de uma Igreja evangélica. O bispo interpelou ao Senhor, dizendo: -Esta Igreja é nova. O que o Senhor era antes? A resposta foi: - Católico, mas não muito praticante. Há dois anos estou nesta Igreja, e me encontrei com Jesus. Ele transformou a minha vida, a vida de minha família, por isso, como posso, trabalho por Ele". O bispo testemunhou que ficou impactado. O senhor ficou em nossa Igreja por 36 anos e não se encontrou com Jesus, sua vida não mudou e nem a de sua família. Em dois anos, aquele senhor experimentou tantas mudanças e até se tornou evangelizador de Bispo em metrô!
Diante de todos nós estão grandes apelos e uma desafiadora exigência para os rumos de nossa ação evangelizadora. Vamos responder corajosamente, movidos por uma profunda paixão por Jesus Cristo e por um amor sincero por nossa Igreja, na alegria do serviço aos irmãos e irmãs e na fidelidade aos nossos compromissos.
Com amizade, bênçãos no Senhor,
+ Walmor Oliveira de AzevedoArcebispo Metropolitano Belo Horizonte, 3 de maio de 2004.http://www.arquidiocesebh.org.br/diversos/apd/igrejaviva1.asp

O COSMOS

Artigo de 14 de novembro de 2004
Os gregos chamavam nosso universo de "cosmos". Viam nele uma harmonia universal. Cada coisa no seu lugar é boa e útil. Se estiver fora de lugar estorva. Afigura-se então como um mal. O exemplo típico é a orquestra. Muitos instrumentos, bem afinados, produzem uma sinfonia. Mas se algum deles desafina temos uma cacofonia. Dói no ouvido. Destoa do conjunto.
Interessante observar que os instrumentos da orquestra são diferentes e seus sons também. Para haver sinfonia não se requer que haja exclusivamente violinos. A variedade de sons, provenientes de diversos instrumentos, tanto de sopro como de corda, produz a sensação agradável da sinfonia. Mas não basta que todos os instrumentos estejam afinados e toquem a mesma música. É necessário evitar que algum deles sobressaia desmesuradamente. Não se pode colocar um microfone num único instrumento, fazendo com que sufoque os demais... Para controlar tudo isto temos o regente.
O universo tem um Criador e Regente. A própria sinfonia do universo nos leva à descoberta deste Regente, ao qual damos o nome de Deus. Na obra da criação se diz, com muita propriedade, que diariamente Ele observava o que tinha feito dentro do conjunto. E via que era bom. Quando terminou a obra, a expressão chegou ao superlativo: era a grande sinfonia do universo: Deus viu que era tudo muito bom.
A natureza, com as leis que a regem, leva-nos a descobrir o segredo da harmonia e da segurança. A intervenção humana, principalmente com os resíduos da indústria, começou a poluir a natureza, conseqüentemente, a provocar desequilíbrios na ecologia. Temos agora dois pólos para conciliar: de um lado está a harmonia e a beleza da natureza e, de outro, estão as exigências das conquistas técnicas. Não podemos nem queremos renunciar a nenhum destes dados.
A solução evidentemente não está na volta às condições da natureza pura. Nossa cultura urbana, resultado tanto da inteligência como do crescimento populacional, não o permitiria. Ninguém está hoje sinceramente disposto a renunciar a todas as conquistas da técnica, tanto no transporte como na comunicação, tanto no cultivo da terra como na transformação dos produtos, tanto da medicina como nos serviços humanos... Com isto temos que acostumar-nos ao barulho e à poluição, até o nível do suportável.
Mas, nem por isso, a natureza estará definitivamente comprometida. As suas leis ainda continuam critério válido para pautar a ação humana. O problema está em conciliar estas leis, que reconhecemos sábias, com os avanços da civilização. O empenho pela ecologia tem evitado muitos estragos e tem preservado muitos valores da natureza para o bem da humanidade.
Algo semelhante acontece no plano mais amplo da segurança. Vencemos muitos empecilhos à vida humana, advindos da natureza, como o perigo de animais selvagens, de cobras venenosas, de mosquitos infectados etc. Descobrimos vacinas que nos previnem contra certas pestes e doenças. Vencemos os macróbios das florestas e os micróbios dos organismo vivos. Neste sentido adquirimos um âmbito de segurança, tanto externo como interno, ou seja, tanto contra ataques mortíferos de fora como contra alimentos prejudiciais.
Não conseguimos, porém, segurança em relação ao próprio homem. Por incrível que possa parecer, nosso inimigo hoje não é a natureza, não são os animais nem as intempéries. São os homens que devemos considerar como nosso próximo. Volta a famosa expressão do poeta romano: o homem é lobo para o homem. Em outras palavras, o homem despiu-se de sua humanidade em relação ao próximo para revestir-se da irracionalidade.
Neste plano voltamos à harmonia universal, agora aplicada à sociedade. S. Paulo compara-a ao organismo vivo, com muitos membros, na unidade de vida. Cada um tem sua função específica. Não é importante ser olho ou pé, mas ser corpo, com a consciência da necessidade e complementariedade de todos os membros. A igualdade fundamental, constituída pela dignidade pessoal, está na vida humana. A atividade, porém, é diferente e complementar. Cada um tem sua função própria. Se estiver no seu lugar, a sociedade estará segura. Se, ao invés, estiver fora de lugar próprio, estará estorvando e criando atritos.

A VOZ DE CRISTO

Artigo de 07 de novembro de 2004
Nós, que temos fé, sentimos uma voz mais vibrante que as demais vozes, que nos mandam fazer o bem e evitar o mal, para nos proporcionar segurança. O próprio Filho de Deus se fez homem. Ele veio morar entre nós. Não só apela para que todos nos empenhemos pela segurança, mas nos dá também as graças para consegui-lo. Deixou-nos sua Igreja para transmitir-nos sua graça e sua verdade. Ele mesmo é a nossa Paz, ao reconciliar os homens com Deus e entre si. É o mediador da paz.
A essência de sua mensagem é o amor. Não só uma exortação para que todos se amem. Ele mesmo derrama seu amor no coração dos discípulos, pelo Espírito Santo que lhes dá. Por isso seu mandamento, que constitui a síntese de todas as normas de segurança e de convivência é "amai-vos como eu vos amei".
No frontispício da obra de Jesus Cristo põe-se o perdão. Como Ele insistisse muito neste ponto, Pedro riscou propor uma medida: até sete vezes? Mas Ele levou-a ao infinito: sempre. Belíssima são suas parábolas sobre o perdão e a misericórdia. Dele se diz, repetidas vezes, que sentia compaixão. A Carta aos Hebreus exorta, por isso, os fiéis a aproximarem-se deste trono de graças, porque não temos um pontífice incapaz de se compadecer dos que ignoram e erram.
A linguagem do relacionamento mudou profundamente com a chegada de Cristo. Lança um não decidido à violência, à opressão, à vingança. Seu Evangelho é um sim vigoroso à vida, à fraternidade, à compaixão. Numa palavra, quem se professa cristão está empenhado com a promoção da segurança e da paz entre os homens. Deve ser o sal da terra e luz do mundo, fazendo ressoar o apelo de Cristo por todo o mundo. Proclama por isso bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus.
O nascimento de Cristo deu-se sob o signo da paz. A partir de então os anjos, isto é, todos os mensageiros de Cristo, anunciam por todo o mundo: "glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens de boa vontade" (Lc 2,14). Mesmo quando a morte violenta de Cruz elimina a presença do Príncipe da Paz, na Páscoa volta a ressoar, com renovado ímpeto, o anúncio que parecia ter sido sufocado no Calvário: a Paz esteja convosco! E para quem não quer acreditar por causa das evidências em contrário, não lhe falta a repreensão: "Por que estais perturbados e por que estas dúvidas nos vossos corações?" (Lc 24, 38).
S. João liga o anúncio da Paz pascal ao envio do Espírito Santo e à missão de perdoar (cf. Jo 20, 21- 23). A salvação chegou! Se pois estamos salvos devemos viver em segurança e ser promotores da mesma em torno de nós.
A Igreja recebeu a missão de Cristo de anunciar e de levar a paz a todos os homens. A voz de Cristo torna-se a voz da Igreja. Não por nada Ela estabeleceu o Primeiro Dia do Ano como o Dia Mundial da Paz. De fato é preciso iniciar cada ano com pensamentos, desejos e votos de paz. Todos devem ser promotores da paz.
É preciso promover um grande mutirão, que envolva toda a sociedade, desde o Estado à Igreja, desde as organizações não governamentais até às iniciativas pessoais, para criar um clima de paz e de fraternidade, de acolhida e de solidariedade de todos. Quando cada um ocupar devidamente seu próprio lugar, sem um se sobrepor ao outro, teremos ordem. Ordem é harmonia. E quando então esta ordem tiver o consenso de todos, constituindo uma ordem concorde, ou uma concordância bem ordenada, teremos paz. Por isso pode-se dizer que a paz é a síntese de todos os bens e a ausência de males. Ela está na exata medida em que todos e cada um praticarem o bem e evitarem o mal. Sua base é pois a moral. E na moral o mandamento, que é como que sua alma e representa a essência da vida cristã, é o amor.
Em síntese: onde as pessoas se amam, de verdade, dentro dos princípios de S. Paulo, no capítulo 13 da Primeira Carta aos Coríntios, há paz, há segurança, há felicidade. Ali a salvação chegou! E quem ama conhece a Deus! (1 Jo 4, 7).
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Queremos ver Jesus

Ver Jesus, Caminho, Verdade e Vida é o anseio mais profundo do coração humano. Santo Agostinho dizia: "O coração do homem está inquieto enquanto não repousar em Deus". Somos feitos por Deus à sua imagem e semelhança. Dele recebemos a força do sentido mais profundo do nosso viver. Somos também feitos para sua glória. Nosso destino está em Deus. Nele está nossa segurança. Ele é a nossa luz e salvação (cf. SI 26). Não podemos desligar a nossa vida do seu amor.
O desejo de Ver Jesus leva Zaqueu a subir numa árvore. Nosso desejo de Ver Jesus precisa também ser acompanhada por uma atitude prática de vida. Na passividade e indiferença nada acontece. É preciso a atitude ativa, da ação concreta. A resposta a Deus se dá mediante um empenho correspondente, um esforço de fidelidade, de perseverança. Ver Jesus significa conhecer e ter uma experiência pessoal com Ele: Querer participar da sua vida. Supõe, portanto, um olhar consciente e corajoso para Ele. No encontro pessoal com Ele, surge uma grande vontade de participar da vida por Ele oferecida.
A redenção que Jesus realiza no alto da cruz, em obediência amorosa, não é um fato qualquer, nem qualquer mensagem. Trata-se da realização plena do desígnio redentor de Deus Pai: Da cruz brota uma força de vida que salva, que liberta, que transforma. Por isso, os discípulos, experimentando o encontro pessoal com Cristo Jesus, se colocam a serviço de todos, particularmente das mais distantes e daqueles que não o conhecem, para que todos participem da plenitude de vida e realizem o desejo de todo coração: Ver Jesus. A vida nova dos discípulos faz nascera missão. A vida nova dos cristãos hoje faz nascer também a missão. O Projeto de Evangelização Queremos Ver Jesus, destina-se fundamentalmente aos irmãos afastados, os batizados que por muitos motivos já não participam da Igreja. A Igreja tem por missão ajudar aos outros a se aproximarem de Jesus e a ter um encontro pessoal com Ele. "A experiência da fé, o encontro pessoal com Jesus Cristo, caminho, verdade e vida, alimentará o processo de conversão dos filhos e filhas de Deus, dando um novo sentido à existência e fará sentir a profunda alegria de ser discípulo de Jesus na comunidade e no testemunho do Reino de Deus".
O projeto de Evangelização destina-se também aos praticantes. Todo serviço pastoral e missionário exige sempre aprofundamento na fé e renovação espiritual do seu povo. A comunidade de fé é um espaço para renovar a fé em Cristo e na sua Igreja. Somente uma fé muito viva, generosa e alegre leva a ser missionário.

Pe. Léo Hastenteufel - Pároco
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Contemplar com prticular fervor o rosto de Cristo, presente na Eucaristia

ANGELUS Alocução do 1º domingo do Advento do Ano da Eucaristia, 28 de Novembro

1. Começa hoje, primeiro Domingo do Advento, um novo ano litúrgico, durante o qual contemplaremos com particular ardor o rosto de Cristo, presente na Eucaristia. Jesus, Verbo encarnado, morto e ressuscitado, é o centro da história. A Igreja adora-O e vislumbra nele o sentido último e unificador de todos os mistérios da fé: o amor de Deus que dá a vida.
2. Na Itália, precisamente nestes dias, tem início o caminho de preparação para o XXIV Congresso Eucarístico Nacional, que se realizará em Bari de 21 a 29 de Maio de 2005. "Não podemos viver sem o Domingo": é o tema deste importante encontro eclesial que, por providencial coincidência, dá ainda maior relevo ao Ano da Eucaristia. Convido a Comunidade eclesial da Itália a preparar-se com grande atenção para este encontro espiritual, redescobrindo "com maior ímpeto o sentido do Domingo: o seu "mistério", o valor da sua celebração, o seu significado para a existência cristã e humana" (Carta Apostólica Dies Domini, 3).
3. Maria Santíssima, "Mulher eucarística" e Virgem do Advento, nos torne todos prontos a acolher com alegria Cristo que vem, e a celebrar dignamente a sua presença sacramental no Mistério eucarístico. No final da recitação dominical do Angelus, João Paulo II dirigiu ainda aos fiéis presentes na Praça, as seguintes palavras: Saúdo os peregrinos de língua espalhola, especialmente os fiéis das Paróquias de Santo António, de São Francisco e de Nossa Senhora da Assunção, de Múrcia. Exorto-vos a continuar a percorrer o caminho para o encontro com Cristo, neste tempo de Advento. Obrigado! Dirijo uma saudação aos peregrinos de língua italiana, de modo particular aos associados da Confederação Italiana dos Conselheiros Familiares de Inspiração Cristã, enquanto lhes manifesto o meu apreço pelo seu serviço à Igreja e à sociedade. Além disso, quero saudar o numeroso grupo de participantes da Cruz Vermelha Italiana, a quem exprimo o meu reconhecimento pelas beneméritas iniciativas, de que se fazem promotores em muitas situações de necessidade. Caríssimos, ao encorajar-vos a perseverar na atitude de generosa dedicação ao serviço do próximo em dificuldade, formulo votos de pleno bom êxito à acção humanitária que levais a cabo na Itália e no exterior. Dirijo o meu pensamento também aos fiéis ucranianos presentes nesta Praça. Asseguro-lhes a minha oração pela paz no seu país. Saúdo os peregrinos oriundos da Polónia: de Cracóvia um grupo de neocatecumenais; os representantes da Fundaçao "D. Jan Chrapek", na Cáritas da Diocese de Radom; as pessoas que vieram aqui individualmente de várias cidades da Polónia e os fiéis que se unem a nós através da rádio e da televisao. Deus abençoe todos vós! Enfim, quero transmitir uma palavra de apreço pela execuçao musical da ópera lírica "O mistério do Corporal", a realizar em Palermo, por iniciativa do Cardeal Salvatore De Giorgi. Desejo a todos um bom domingo.

(©L'Osservatore Romano - 4 de Dezembro de 2004)

“Estreitemo-nos a Cristo, Pedra viva!

“Estreitemo-nos a Cristo, Pedra viva!Recomecemos a partir dele!” - Papa João Paulo II

Na manhã de quarta-feira 22 de Outubro de 2003, – vigésimo quinto aniversário do início do Ministério de Pastor universal da Igreja, do Santo Papa – João Paulo II presidiu a uma solene Concelebração Eucarística, com os trinta Cardeais recém-criados.No contexto dessa Concelebração, oficiada na Basílica de São Pedro, o Sumo Pontífice entregou aos neopurpurados o anel, símbolo de renovado vínculo de unidade com a Igreja recordando, entre outras coisas, a necessidade que os membros do Colégio Cardinalício tem a dar testemunho de Jesus, Cristo no mundo, “usque ad sanguinis effusionem”, e de ser confirmados “na verdade e na unidade da fé”.

Publicamos a seguir a tradução do texto da homilia pronunciada pelo Papa nessa especial ocasião de festa para a Igreja:
1. Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo! (Mt 16, 16).
Neste vinte e cinco anos de Pontificado, quantas vezes repeti estas palavras!
Pronunciei-as nas principais línguas do mundo e em numerosas regiões da Terra. Com efeito, o Sucessor de Pedro jamais pode esquecer-se do diálogo entretecido entre o Mestre e o Apóstolo: “Tu és Cristo...”, “Tu és Pedro...”.
Mas este “Tu” é precedido de um “vós”: “e vós, quem dizeis que Eu sou”? ( Mt 16, 15). Esta interrogação de Jesus é dirigida ao grupo dos discípulos, e Simão responde em nome de todos.
O primeiro serviço que Pedro e os seus Sucessores prestam à comunidade dos crentes é precisamente este: professar a fé em “Cristo, filho de Deus vivo”.
2. “Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo!”. No dia de hoje, renovamos a profissão de fé do Apóstolo Pedro nesta Basílica, que tem seu nome. Nesta Basílica os Bispos de Roma, que se sucederam ao longo dos séculos, convocam os crentes da Urbe e do Orbe, para os confirmar na verdade e na unidade da fé. Mas ao mesmo tempo, como exprime oportunamente a adjacente Colunata de Bernini, esta Basílica abre os seus braços a toda a humanidade, como que para indicar que a Igreja é convidada a anunciar a Boa Notícia a todos os homens, sem exceção. Unidade e abertura, comunhão e missão: este é o respiro da Igreja. Em particular, esta é a dúplice dimensão do ministério petrino: serviço de unidade e missionariedade. O Bispo de Roma tem a alegria de compartilhar este serviço com os outros sucessores dos Apóstolos, reunidos à sua volta no único Colégio episcopal..
3. Segundo uma antiga tradição, neste serviço o Sucessor de Pedro vale-se de maneira particular da colaboração dos Cardeais. No seu Colégio reflete-se a universalidade da Igreja, único Povo de Deus arraigado na multiplicidade das nações (cf. Lúmen gentium, 13).
Caríssimos e venerados Irmãos Cardeais, nesta circunstância gostaria de vos exprimir o meu reconhecimento pela válida ajuda que me assegurais. De maneira especial, quereria saudar também os novos membros do Colégio Cardinalício. Venerados Irmãos, o anel, que daqui a pouco vos entregarei, é símbolo de renovado vínculo de unidade que vos une estreitamente à Igreja e ao Papa.
4. Voltamos a escutar, em conjunto, as palavras do Salmo, que acabaram de ressoar: “Repeti comigo: o Senhor é grande / junto exaltemos o seu Nome” ( Sl 34 [33], 4).
É um convite à alegria e ao louvor que, em círculos concêntricos, se alarga a vós, caríssimos Cardeais, Patriarcas, Bispo, sacerdotes, religiosos, religiosas e fiéis leigos. Além disso, ele compromete-vos a todos vós, homens e mulheres de boa vontade, que olhai com simpatia para a Igreja de Cristo. Repito a todos e cada um de vós: celebrai juntamente comigo o nome do Senhor, porque Ele é Pai, amor e misericórdia. Venerados Irmãos Cardeais, é deste Nome que nós fomos chamados a dar testemunho “usque ad sanguinis effusionem”.
Se, porventura, chegassem o medo e o desânimo, que nos seja de alívio a promessa consoladora do Mestre divino: “Neste mundo tereis aflições, mas tende coragem: Eu venci o mundo” ( Jo 16, 33).Jesus anunciou, prévia e claramente, que a perseguição dos Apóstolos e dos seus sucessores não seria uma fato extraordinário ( cf. Mt 10, 16-18). Foi o que no-lo recordou inclusivamente a primeira Leitura, apresentando o aprisionamento e a milagrosa libertação de Pedro.5. O Livro dos Atos salienta o fato de que, enquanto Pedro estava na prisão, “a oração fervorosa da Igreja subia continuamente até Deus, intercedendo em favor dele” ( At. 12, 5). Que grande coragem infunde o sustentáculo da pração unânime do povo cristão! Eu mesmo pude experimentar o conforto que disto promana. Caríssimos, esta é a nossa força. E constitui também um dos motivos pelos quais desejei que o vigésimo quinto ano do meu Pontificado fosse dedicado ao santo Rosário: para ressaltar o primado da oração, de maneira especial na prece contemplativa, recitada em união espiritual com Maria, Mãe da Igreja.
A presença de Maria – desejada, invocada e acolhida – ajuda-nos a viver também esta celebração como um momento em que a Igreja se renova no encontro com o Cristo e na força do Espírito Santo.
Estreitemo-nos a Cristo, Pedra viva! Foi o que nos disse Pedro, na segunda Leitura ( I Pd. 2, 4-9). Recomecemos a partir dele, de Cristo, para anunciar a cada um os prodígios do seu amor. Sem temer e sem hesitar, porque é Ele que nos garante: “Tende confiança, Eu venci o mundo!”.
Sim, Senhor, nós confiamos em Ti e continuamos o nosso caminho juntamente contigo, ao serviço da Igreja e da humanidade!
http://www.rccbrasil.org.br/index.php?s=papa

TEMPO DO ADVENTO

Introdução
A palavra "advento" quer dizer "que está para vir". O tempo do Advento é para toda a Igreja, momento de forte mergulho na liturgia e na mística cristã. É tempo de espera e esperança, de estarmos atentos e vigilantes, preparando-nos alegremente para a vinda do Senhor, como uma noiva que se enfeita, se prepara para a chegada de seu noivo, seu amado.
O Advento começa às vésperas do Domingo mais próximo do dia 30 de Novembro e vai até as primeiras vésperas do Natal de Jesus contando quatro domingos.
Esse Tempo possui duas características: As duas últimas semanas, dos dias 17 a 24 de dezembro, visam em especial, a preparação para a celebração do Natal, a primeira vinda de Jesus entre nós. Nas duas primeiras semanas, a nossa expectativa se volta para a segunda vinda definitiva e gloriosa de Jesus Cristo, Salvador e Senhor da história, no final dos tempos. Por isto, o Tempo do Advento é um tempo de piedosa e alegre expectativa.
Origem
Há relatos de que o Advento começou a ser vivido entre os séculos IV e VII em vários lugares do mundo, como preparação para a festa do Natal. No final do século IV na Gália (atual França) e na Espanha tinha caráter ascético com jejum abstinência e duração de 6 semanas como na Quaresma (quaresma de S. Martinho). Este caráter ascético para a preparação do Natal se devia à preparação dos catecúmenos para o batismo na festa da Epifania. Somente no final do século VII, em Roma, é acrescentado o aspecto escatológico do Advento, recordando a segunda vinda do Senhor e passou a ser celebrado durante 5 domingos.
Só após a reforma litúrgica é que o Advento passou a ser celebrado nos seus dois aspectos: a vinda definitiva do Senhor e a preparação para o Natal, mantendo a tradição das 4 semanas. A Igreja entendeu que não podia celebrar a liturgia, sem levar em consideração a sua essencial dimensão escatológica.
Teologia do Advento
O Advento recorda a dimensão histórica da salvação, evidencia a dimensão escatológica do mistério cristão e nos insere no caráter missionário da vinda de Cristo. Ao serem aprofundados os textos litúrgicos desse tempo, constata-se na história da humanidade o mistério da vinda do Senhor. Jesus que de fato se encarna e se torna presença salvífica na história, confirmando a promessa e a aliança feita ao povo de Israel. Deus que, ao se fazer carne, plenifica o tempo (Gl 4,4) e torna próximo o Reino (Mc 1,15) . O Advento recorda também o Deus da revelação, Aquele que é, que era e que vem (Ap 1, 4-8), que está sempre realizando a salvação mas cuja consumação se cumprirá no "dia do Senhor", no final dos tempos. O caráter missionário do Advento se manifesta na Igreja pelo anúncio do Reino e a sua acolhida pelo coração do homem até a manifestação gloriosa de Cristo. As figuras de João Batista e Maria são exemplos concretos da missionariedade de cada cristão, quer preparando o caminho do Senhor, quer levando o Cristo ao irmão para o santificar. Não se pode esquecer que toda a humanidade e a criação vivem em clima de advento, de ansiosa espera da manifestação cada vez mais visível do Reino de Deus.
A celebração do Advento é, portanto, um meio precioso e indispensável para nos ensinar sobre o mistério da salvação e assim termos a Jesus como referencia e fundamento, dispondo-nos a "perder" a vida em favor do anúncio e instalação do Reino.
Espiritualidade do advento
A liturgia do Advento nos impulsiona a reviver alguns dos valores essenciais cristãos, como a alegria expectante e vigilante, a esperança, a pobreza, a conversão.
Deus é fiel a suas promessas: o Salvador virá; daí a alegre expectativa, que deve nesse tempo, não só ser lembrada, mas vivida, pois aquilo que se espera acontecerá com certeza. Portanto, não se está diante de algo irreal, fictício, passado, mas diante de uma realidade concreta e atual. A esperança da Igreja é a esperança de Israel já realizada em Cristo mas que só se consumará definitivamente na parusia do Senhor. Por isso, o brado da Igreja característico nesse tempo é "Marana tha"! Vem Senhor Jesus!
O tempo do Advento é tempo de esperança porque Cristo é a nossa esperança (I Tm 1, 1); esperança na renovação de todas as coisas, na libertação das nossas misérias, pecados, fraquezas, na vida eterna, esperança que nos forma na paciência diante das dificuldades e tribulações da vida, diante das perseguições, etc.
O Advento também é tempo propício à conversão. Sem um retorno de todo o ser a Cristo não há como viver a alegria e a esperança na expectativa da Sua vinda. É necessário que "preparemos o caminho do Senhor" nas nossas próprias vidas, "lutando até o sangue" contra o pecado, através de uma maior disposição para a oração e mergulho na Palavra.
No Advento, precisamos nos questionar e aprofundar a vivência da pobreza. Não pobreza econômica, mas principalmente aquela que leva a confiar, se abandonar e depender inteiramente de Deus (e não dos bens terrenos), que tem n'Ele a única riqueza, a única esperança e que conduz à verdadeira humildade, mansidão e posse do Reino.
As Figuras do Advento:
ISAÍAS
É o profeta que, durante os tempos difíceis do exílio do povo eleito, levava a consolação e a esperança. Na segunda parte do seu livro, dos capítulos 40 - 55 (Livro da Consolação), anuncia a libertação, fala de um novo e glorioso êxodo e da criação de uma nova Jerusalém, reanimando assim, os exilados.
As principais passagens deste livro são proclamadas durante o tempo do Advento num anúncio perene de esperança para os homens de todos os tempos.
JOÃO BATISTA
É o último dos profetas e segundo o próprio Jesus, "mais que um profeta", "o maior entre os que nasceram de mulher", o mensageiro que veio diante d'Ele a fim de lhe preparar o caminho, anunciando a sua vinda (conf. Lc 7, 26 - 28), pregando aos povos a conversão, pelo conhecimento da salvação e perdão dos pecados (Lc 1, 76s).
A figura de João Batista ao ser o precursor do Senhor e aponta-lO como presença já estabelecida no meio do povo, encarna todo o espírito do Advento; por isso ele ocupa um grande espaço na liturgia desse tempo, em especial no segundo e no terceiro domingo.
João Batista é o modelo dos que são consagrados a Deus e que, no mundo de hoje, são chamados a também ser profetas e profecias do reino, vozes no deserto e caminho que sinaliza para o Senhor, permitindo, na própria vida, o crescimento de Jesus e a diminuição de si mesmo, levando, por sua vez os homens a despertar do torpor do pecado.
MARIA
Não há melhor maneira de se viver o Advento que unindo-se a Maria como mãe, grávida de Jesus, esperando o seu nascimento. Assim como Deus precisou do sim de Maria, hoje, Ele também precisa do nosso sim para poder nascer e se manifestar no mundo; assim como Maria se "preparou" para o nascimento de Jesus, a começar pele renúncia e mudança de seus planos pessoais para sua vida inteira, nós precisamos nos preparar para vivenciar o Seu nascimento em nós mesmos e no mundo, também numa disposição de "Faça-se em mim segundo a sua Palavra" (Lc 1, 38), permitindo uma conversão do nosso modo de pensar, da nossa mentalidade, do nosso modo de viver, agir etc.
Em Maria encontramos se realizando, a expectativa messiânica de todo o Antigo Testamento.
JOSÉ
Nos textos bíblicos do Advento, se destaca José, esposo de Maria, o homem justo e humilde que aceita a missão de ser o pai adotivo de Jesus. Ao ser da descendência de Davi e pai legal de Jesus, José tem um lugar especial na encarnação, permitindo que se cumpra em Jesus o título messiânico de "Filho de Davi".
José é justo por causa de sua fé, modelo de fé dos que querem entrar em diálogo e comunhão com Deus.
A Celebração do Advento
O Advento deve ser celebrado com sobriedade e com discreta alegria. Não se canta o Glória, para que na festa do Natal, nos unamos aos anjos e entoemos este hino como algo novo, dando glória a Deus pela salvação que realiza no meio de nós. Pelo mesmo motivo, o diretório litúrgico da CNBB orienta que flores e instrumentos sejam usados com moderação, para que não seja antecipada a plena alegria do Natal de Jesus.
As vestes litúrgicas (casula, estola etc) são de cor roxa, bem como o pano que recobre o ambão, como sinal de conversão em preparação para a festa do Natal com exceção do terceiro domingo do Advento, Domingo da Alegria ou Domingo Gaudete, cuja cor tradicionalmente usada é a rósea, em substituição ao roxo, para revelar a alegria da vinda do libertador que está bem próxima e se refere a segunda leitura que diz: Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito, alegrai-vos, pois o Senhor está perto.(Fl 4, 4).
Vários símbolos do Advento nos ajudam a mergulhar no mistério da encarnação e a vivenciar melhor este tempo. Entre eles há a coroa ou grinalda do Advento. Ela é feita de galhos sempre verdes entrelaçados, formando um círculo, no qual são colocadas 4 grandes velas representando as 4 semanas do Advento. A coroa pode ser pendurada no prebistério, colocada no canto do altar ou em qualquer outro lugar visível. A cada domingo uma vela é acesa; no 1° domingo uma, no segundo duas e assim por diante até serem acesas as 4 velas no 4° domingo. A luz nascente indica a proximidade do Natal, quando Cristo salvador e luz do mundo brilhará para toda a humanidade, e representa também, nossa fé e nossa alegria pelo Deus que vem. O círculo sem começo e sem fim simboliza a eternidade; os ramos sempre verdes são sinais de esperança e da vida nova que Cristo trará e que não passa. A fita vermelha que enfeita a coroa representa o amor de Deus que nos envolve e a manifestação do nosso amor que espera ansioso o nascimento do Filho de Deus. A cor roxa das velas nos convida a purificar nossos corações em preparação para acolher o Cristo que vem. A vela de cor rosa, nos chama a alegria, pois o Senhor está próximo. Os detalhes dourados prefiguram a glória do Reino que virá.
Podemos também, em nossas casas, com as nossas famílias, mergulhar no espírito do Advento celebrando-o com a ajuda da coroa do Advento que pode ser colocada ao lado da mesa de refeição.
Fonte: Comunidade Católica Shalom

ANGELUS Alocução mariana de domingo, 19 de Dezembro, na Praça de São Pedro

A mensagem da árvore de Natal: vida que permanece "sempre verde" e se faz dom
1. A festa do Natal, talvez a mais querida à tradição popular, é extremamente rica de símbolos, ligados às diferentes culturas. Entre todos, o mais importante é, sem dúvida, o presépio, como tive a ocasião de ressaltar no domingo passado.
2. Ao lado do presépio, como nesta Praça de São Pedro, encontramos a tradicional "árvore de Natal". Também esta é uma antiga tradição, que exalta o valor da vida porque na estação invernal, a árvore sempre verde se torna um sinal da vida que não perece. Geralmente, na árvore adornada e aos pés da mesma são colocados os dons de Natal. Assim, o símbolo torna-se eloquente também em sentido tipicamente cristão: evoca à mente a "árvore da vida" (cf. Gn 2, 9), figura de Cristo, supremo dom de Deus à humanidade.
3. Por conseguinte, a mensagem da árvore de Natal é que a vida permanece "sempre verde", se se torna dom: não tanto de coisas materiais, mas de si mesmo: na amizade e no carinho sincero, na ajuda fraterna e no perdão, no tempo compartilhado e na escuta recíproca. Que Maria nos ajude a viver o Natal como uma ocasião para saborear a alegria de nos doarmos a nós mesmos aos irmãos, especialmente aos mais necessitados. No final da tradicional recitação mariana do Angelus, João Paulo II saudou ainda os peregrinos e fiéis presentes na Praça de São Pedro, proferindo as seguintes palavras: Por ocasião do Natal de Cristo, é com grande afecto que saúdo as crianças e jovens de Beslan (Ossécia), hóspedes com alguns familiares dos Carmelitas Descalços, de Trento. Caríssimos, o bem que estais a receber de tantos amigos vos ajude a superar as feridas da terrível experiência do passado. Feliz Natal em Cristo! Desejo saudar os peregrinos provenientes da Polónia: os jovens de Bydgoszcz, as pessoas que vieram aqui individualmente e todos aqueles que se unem a nós através da rádio e da televisão. Desejo a todos um bom Natal! Saúdo todos os peregrinos aqui presentes, de maneira particular os fiéis das paróquias de São Tarcísio e de Santa Francisca Cabrini, de Roma, e os fiéis provenientes de Tarento e de Castellaneta. Dirijo um pensamento também aos membros da Associação "Per una speranza in più" ("Para uma esperança a mais"), de Verona. Bom domingo e feliz Natal! (©L'Osservatore Romano - 25 de Dezembro de 2004)

Papa diz que sem oração e conversão não há ecumenismo

CIDADE DO VATICANO, 20 de janeiro de 2005 (ZENIT.org).
Sem oração e «conversão interior» não pode haver autêntico ecumenismo, assegurou João Paulo II esta quarta-feira na audiência geral concedida durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

Este evento reúne em momentos de encontro e súplica na maioria dos países do mundo, de 18 a 25 de janeiro, os dois bilhões de cristãos do planeta, divididos em diferentes confissões.«Trata-se de dias de reflexão e de oração sumamente oportunos para recordar aos cristãos que o restabelecimento da plena unidade entre eles, segundo a vontade de Jesus, compromete todo batizado, tanto pastores como fiéis», começou afirmando o pontífice.
Diante dos sete mil peregrinos congregados na Sala Paulo VI do Vaticano o bispo de Roma recordou que neste ano a Semana acontece meses depois do quadragésimo aniversário da promulgação do decreto do Concílio Vaticano II Unitatis Redintegratio, «texto chave que pôs a Igreja Católica firme no caminho do movimento ecumênico».
O tema apresentado para a meditação neste ano pela Comissão «Fé e Constituição» do Conselho Mundial das Igrejas e pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos é «Cristo, fundamento único da Igreja», «uma verdade básica para todo compromisso ecumênico», segundo o Papa.
«Dado que a reconciliação dos cristãos supera as forças e as capacidades humanas», disse citando o Vaticano II, «a oração é expressão da esperança que não decepciona, da confiança no Senhor que faz novas todas as coisas».
«Mas a oração deve estar acompanhada pela purificação da mente, dos sentimentos, da memória --agregou--. Converte-se deste modo em expressão dessa “conversão interior” sem a qual não há autêntico ecumenismo».«Em definitivo --assegurou--, a unidade é um dom de Deus, dom que há que implorar sem cansar, com humildade e verdade».
O pontífice se mostrou otimista ante o futuro, pois, segundo constatou, «o desejo da unidade está-se estendendo e se aprofunda até tocar novos ambientes e contextos, suscitando fervor de obras, iniciativas, reflexões».
«Recentemente o Senhor também permitiu que seus discípulos pudessem ter contatos de diálogo e colaboração --recordou--. A dor da separação se sente cada vez com mais intensidade, ante os desafios de um mundo que espera um testemunho evangélico claro e unânime por parte de todos os crentes em Cristo».
O Papa recordou que, como em anos passados, em Roma, a Semana concluirá com a celebração das Vésperas, em 25 de janeiro, na basílica de São Paulo Extramuros, presidida nesta ocasião pelo cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, com a presença de representantes de outras igrejas e confissões cristãs.
«Eu me unirei espiritualmente e vos peço que rezeis para que toda a família dos crentes possa alcançar o quanto antes a plena comunhão querida por Cristo», concluiu.

http://www.entreredes.org.br/index.php?op=noticia&wcodigo=19626

João Paulo II: Uma Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

CristãosIntervenção durante a audiência geral de quarta-feira

CIDADE DO VATICANO, 20 de janeiro de 2005 (ZENIT.org).- Publicamos a intervenção de João Paulo II na audiência geral desta quarta-feira dedicada à Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.
1. Começou ontem a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Trata-se de dias de reflexão e de oração sumamente oportunos para recordar aos cristãos que o restabelecimento da plena unidade entre eles, vontade de Jesus, compromete todo batizado, tanto pastores como fiéis (Cf. Unitatis Redintegratio , 5).
A Semana acontece meses depois do quadragésimo aniversário da promulgação do decreto do Concílio Vaticano II Unitatis Redintegratio, texto chave que pôs a Igreja Católica firme no caminho do movimento ecumênico.
2. Este ano, o tema nos apresenta uma verdade básica para todo compromisso ecumênico, ou seja, que Cristo é o fundamento da Igreja. O Concílio recomendou eloqüentemente a oração pela unidade como alma de todo movimento ecumênico (Cf. Unitatis Redintegratio, 8). Dado que a reconciliação dos cristãos «supera as forças e as capacidades humanas» (ibidem, 24), a oração é expressão da esperança que não decepciona, da confiança no Senhor que faz novas todas as coisas (Cf. Romanos 5,5; Apocalipse 21, 5). Mas a oração deve estar acompanhada pela purificação da mente, dos sentimentos, da memória. Converte-se deste modo em expressão dessa «conversão interior» sem a qual não há autêntico ecumenismo (Cf. ibidem, 7). Em definitivo, a unidade é um dom de Deus, dom que há que implorar sem cansar, com humildade e verdade.
3. O desejo da unidade está-se estendendo e se aprofunda até tocar novos ambientes e contextos, suscitando fervor de obras, iniciativas, reflexões. Recentemente, o Senhor também permitiu que seus discípulos pudessem ter contatos de diálogo e colaboração. A dor da separação se sente cada vez com mais intensidade, ante os desafios de um mundo que espera um testemunho evangélico claro e unânime por parte de todos os crentes em Cristo.
4. Como é costume, em Roma, a Semana concluirá com a celebração das Vésperas, em 25 de janeiro, na basílica de São Paulo Extramuros. Agradeço o senhor cardeal Walter Kasper, que me representará nesse encontro litúrgico, no qual participam representantes de outras igrejas e confissões cristãs. Eu me unirei espiritualmente e vos peço que rezeis para que toda a família dos crentes possa alcançar o quanto antes a plena comunhão querida por Cristo.

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A SOLUÇÃO PELA ACOLHIDA

Dom Dadeus Grings - 23.01.05

A CNBB lançou, para o quadriênio 2003 - 2006, suas Diretrizes da Ação Evangelizadora, enfatizando três planos a serem trabalhados: a pessoa, a comunidade e a sociedade. No plano da pessoa enfatiza sua dignidade e consequentemente sua acolhida. Fala da construção da identidade pessoal e da liberdade autêntica. Destaca a condição de filho de Deus, que a eleva a um pedestal de grandeza inigualável. No plano da comunidade traz à mente a fragmentação da vida e, consequentemente, a necessidade de buscar relações mais humanas. A resposta da fé cristã leva ao empenho da fraternidade, na certeza de que todos somos irmãos. No plano da sociedade, após denunciar o escândalo da exclusão e da violência, aponta para a solidariedade, tanto nas iniciativas particulares, que mostram a Igreja samaritana, com sua reivindicação de políticas públicas e na participação política.
A solução para o desafio do problema da violência e da insegurança tem uma de suas chaves na promoção da acolhida de todas as pessoas. Isto significa, especialmente, uma partilha em seu sofrimento e uma concretização de sua busca de felicidade. Esta acolhida se realiza, primeiramente, no íntimo de cada pessoa, em relação aos outros. Concentra-se na criação de sentimentos de simpatia, de compaixão, de fraternidade e de solidariedade.
De posse destes sentimentos, inicia-se o trabalho da construção de pontes. Vai-se ao encontro do outro. Inicialmente dos que são mais próximos; depois, dos que participam da comunidade; em seguida, dos que são acolhidos e mantidos por entidades filantrópicas, ajudando estas entidades a cumprir sua missão e, eventualmente, alargar seu horizonte de atendimento; e, por fim, se estende a todos os excluídos, marginalizados, sofridos, através de novas iniciativas e promoções.
A solução definitiva do problema da violência e da insegurança não será alcançada pela repressão, ou seja, opondo violência à violência, assim como não se consegue paz autêntica por meio da guerra. Volta a exortação do Papa João XXIII: "se queres a paz prepara a paz". Transposto para o nosso campo: se queres segurança promove segurança; ou se queres superar a violência não use violência!
Isto significa, em outras palavras, criar uma rede de solidariedade que perpasse todas as classes sociais, todas as categorias profissionais e atinja cada pessoa. Ninguém fique excluído da acolhida, do carinho e da solicitude. A parábola do Bom Samaritano mostra como este, ao passar junto ao homem que fora assaltado e deixado semi-morto, viu-o e teve compaixão dele. Aproximou-se e curou suas feridas. Leva-o a uma hospedaria para que os cuidados continuem a ser ministrados até sua volta. Envolve a sociedade na solicitude para com o alquebrado. Jesus conclui a parábola mandando seus discípulos fazerem a mesma coisa. Garante que nisto consiste a conquista da vida eterna, ou seja, por este gesto de acolhida e de compaixão, a própria vida adquire sentido pleno e se perpetua.
Ninguém é tão mau que não tenha algum aspecto pelo qual mereça ser estimado e acolhido. A longo andar, na senha da maldade, fica, muitas vezes, a impressão de que o mal esteja prevalecendo e que o bem se tenha exaurido. Por isso faz-se hoje necessário, devido ao intenso bombardeio dos meios de comunicação, com notícias más, crimes hediondos e terrores de toda espécie, mais do que nunca, renovar a fé no ser humano. O homem não é visceralmente mau. Foi, ao contrário, criado bom. E se isto não convencesse, sabemos que ele foi remido pelo sangue de Cristo. E é preciso dizer mais: tanto Deus amou o mundo que lhe enviou seu próprio Filho, muito amado. Ele nos vem garantir que tudo o que se fizer ao menor de seus irmãos é a Ele próprio que se faz, o que equivale a dizer que Ele retribui todo gesto de carinho e acolhida dos irmãos.
É certo que, diante da bondade e do carinho, ninguém resiste. Não há dúvida que é extremamente difícil, diante da violência ou diante das ameaças, reagir com amor, com compreensão e com compaixão. Até diria que humanamente isto é impossível. Por isso Cristo infundiu, em nossos corações, o próprio amor de Deus pelo Espírito Santo, que nos enviou. Nosso testemunho de fé é o amor e o amor se manifesta, do modo mais sublime, no perdão.

Dom Dadeus Grings - Arcebispo Metropolitano
domdadeus@terra.com.br

AS GRANDES CAUSAS

06 de março de 2005

A filha de Billy Graham, Anne, perguntada sobre como Deus teria permitido o horroroso atentado de 11 de setembro, nos Estados Unidos, respondeu que terá ficado muito triste com o ocorrido. Mas Ele, infelizmente, já fora excluído da sociedade norte-americana há bastante tempo: 'Por muitos anos nós temos dito para Deus não interferir em nossas escolas, sair do nosso governo e sair de nossas vidas. Sendo um cavalheiro como Deus é, eu creio que Ele calmamente nos deixou'. Agora não nos podemos nos queixar!
No Brasil, acusa-se seguidamente a Igreja de ser a defensora das causas perdidas. A expressão, certamente, não é correta. Na verdade, não se trata de causas perdidas, mas das grandes causas, que envolvem nossa vida e nossa sociedade. Senão vejamos: em meados do século XX, iniciou-se uma intensa campanha de liberalização dos costumes. Começou pela demolição da moral sexual, declarando superado o tabu do sexo, para afiançar que, 'em matéria de sexo, não existe certo e errado'. A Igreja foi derrotada e declarada ultrapassada em sua concepção moral. A sociedade aplaudiu. Agora arca com o espectro da Aids, a volta da sífilis, o abuso de menores, os atentados violentos ao pudor... Mas tudo bem! Isso é democracia! Isso é progresso! A atuação homossexual é um direito!
A seguir, travou-se a dantesca batalha do divórcio. As 'forças progressistas' venceram a 'Igreja reacionária'. Com a estrondosa vitória, todos se aquietaram. Agora está tudo bem: é possível divorciar-se a cada ano. A família esfacelou-se. Mas, pior ainda: desestabilizou-se. Os casamentos se desfazem com facilidade e já não se sente necessidade de realizá-lo publicamente. A família entrou em crise, sem amparo nem segurança. Só a Igreja está empenhada em defendê-la. E os casais de segunda, terceira e quarta união gemem sob seu peso!
Veio então a questão do aborto e da eutanásia. E, novamente, a voz da Igreja está sendo sufocada por uma série de argumentos, que põem a subjetividade na vanguarda das decisões. Afinal, a mulher é dona de seu corpo. Ela decide sobre sua gestação. Cada um pode determinar as condições de sua vida e sua morte. Ganhou a liberdade, mas a vida se bagatelizou. Desceu a um nível assustadoramente baixo, que tem, na violência, seu índice mais significativo.
Avançou-se para o campo pedagógico. Os novos métodos proíbem proibir. Não se admite a correção e muito menos uma punição, quer dos familiares, quer dos mestres. Quem transgredir essas normas deverá responder frente aos Conselhos Tutelares e terá a reprimenda dos direitos humanos. A Igreja novamente foi derrotada no seu afã educativo. Chegamos à condição selvagem, que privilegia a lei das selvas, tanto no âmbito familiar, como no escolar e no social.
Por fim, tenta-se escamotear, de todos os modos, a verdade. Se alguém a diz, com certo vigor, é acusado e condenado pelos tribunais por difamação e deve uma indenização por 'danos morais'. Calam-se judicialmente as vozes dos profetas, sem nenhuma atenção à verdade.
A Igreja foi derrotada? Ou é a própria humanidade que está perdendo o referencial das grandes causas?
Na verdade, a Igreja tenta fazer parceria com a sociedade para solidificar os grandes princípios, com leis que sejam adequadas. Quando não consegue e seus esforços ficam frustrados nesse campo, quando se dá conta de que, antes das leis, o próprio Deus foi afastado daqueles setores, Ela sente necessidade de recuar para reagrupar suas forças lá onde está sua essência: na fé e na mística, no amor e na sua confiança. Ela sabe que nenhuma lei, por si, salva. Por isso, sentindo-se, junto com a própria humanidade, derrotada no plano das leis, reafirma sua convicção de base. Conta com a graça divina e com o empenho da evangelização, na certeza de que um outro mundo é possível e está em gestação.
De fato, quando se apregoa que, em matéria de sexo, não existe o certo e o errado, sente-se, em contraposição, um esforço cada vez maior de valorizar a castidade e de apregoar os verdadeiros valores morais, como fonte de segurança e felicidade; quando as famílias se sentem desamparadas pelas leis e sentem que elas carregam um peso muitas vezes superior aos casais fiéis, começa-se a incutir nos filhos a necessidade de fidelidade para a qual elas não foram educadas nem amparadas; quando se perdeu o controle da educação, reaparece a necessidade de novos métodos; quando as mentiras provocam guerras e desavenças, volta a convicção de que só a verdade liberta; quando o respeito pela vida desceu a níveis baixíssimos, a tendência é de voltar a preservá-la em todos os níveis, custe o que custar...

NOSSOS ADMIRÁVEIS IRMÃOS

13 de março de 2005

Com o maciço bombardeio de crimes, de guerras, de atentados, de seqüestros e roubos, fica a impressão não só de desassossego, mas de uma humanidade pervertida e má. Diante de crimes hediondos, surge espontânea a exclamação de que a humanidade é uma experiência que não deu certo.
Mas essa impressão é falsa e parcial. Nossa humanidade, de acordo com ditames de nossa fé cristã, é uma humanidade redimida. Isso significa que ela está salva. O próprio Filho de Deus, pelo qual foram feitas todas as coisas, veio não só nos visitar com sua divindade, mas assumiu também nossa humanidade. Ele é um dos nossos e nós nos tornamos irmãos dele. Garante por isso que tudo o que se fizer a seus irmãos é a Ele próprio que se faz.
A partir desse princípio, surgiu, na humanidade, uma espécie de emulação santa, pela qual cada fiel procura esmerar-se mais na prestação de serviço aos irmãos. Muita gente aprendeu de Jesus que entre seus discípulos não seria o maior quem dominasse os outros, mas quem melhor os servisse.
Se pudéssemos ver tudo o que nossos irmãos, discípulos do Divino Mestre, fizeram, ao longo destes 2 mil anos, em prol da humanidade, e como a tornaram melhor, mais solidária e fraterna, ficaríamos deveras admirados. Certamente nos orgulharíamos de ter tais irmãos e não duvidaríamos de que este mundo em que vivemos, apesar de todos os pesares, mas pelo fato de ter uma cruz chantada em seu meio, é, para toda a eternidade e em cada tempo, mais glorioso e mais rico de valores que uma humanidade que não tivesse sido marcada pelo pecado. Por isso cantamos, nesta quaresma, a feliz culpa que nos trouxe semelhante Redentor, que contagiou, com seu exemplo, suas palavras e sua graça, uma enorme multidão de pessoas de todas as classes, idades e condições de vida. Todos levam a marca de sua atuação e de sua presença. Dão testemunho de sua obra salvífica.
A Igreja nos propõe alguns modelos, que viveram sua fé cristã até ao heroísmo. Cada século tem seus santos a retratar a vida cristã no seu contexto. São admiráveis suas vidas! Constituem nossos heróis.
Cada época realça alguns valores de preferência a outros. Mas todos os santos se caracterizam pela vivência exímia das três virtudes teologais: pessoas - homens, mulheres, crianças, adultos e idosos - de uma profunda fé, de uma inabalável esperança e de uma acentuada caridade. E nós admiramos essas pessoas, que vivem como se vissem o invisível, cientes de que o essencial é invisível aos olhos; que esperam, apesar de todas as contrariedades; e amam sem nenhum interesse particular, somente porque elas mesmas se sentem amadas por Deus.
Na base dessa atitude está Deus, por Jesus Cristo no Espírito Santo. Há nos santos algo que transcende nossas capacidades e expectativas humanas: é a graça divina, que move as inteligências, os corações e os sentimentos.
A partir dessa graça, que nos foi trazida por Jesus Cristo e está na base da Redenção por Ele operada, cria-se uma nova humanidade, que tem, como essência de vida, o amor. A convivência humana recebe uma nova dinâmica e um novo apelo.
É verdade que o amor entre nós, humanos, não é puro. Está marcado pela natureza limitada e carente. Por isso deve-se acrisolar. Falamos de um amor exigente. Dizemos que não há nada de perfeito neste mundo. Nem o amor. Ele é perfeito somente no céu, porque o próprio Deus é amor e lá só entra quem ama. Mas, antes de chegar lá, cada pessoa deve provar e autenticar seu amor. E na medida em que conseguir viver o amor puro - colocando a fé em prática - inicia a gozar das delícias do céu. Não por nada os santos, antes da canonização, isto é, antes de serem declarados perfeitos no amor, são beatificados, o que equivale a dizer que são declarados felizes. São e foram felizes porque creram em Jesus Cristo, esperaram nas suas promessas e amaram de acordo com seu mandamento. Mas eles não são nem foram só felizes pessoalmente. Tornaram também felizes todas as pessoas que os rodearam e participaram de sua irradiação.

http://www.arquidiocesepoa.org.br/ - VOZ DO PASTO D. DADEUS GRINGS

ACENDEU-SE DE NOVO A LUZ DA JANELA QUE ILUMINA ROMA E O MUNDO

Na tarde de domingo, 13 de Março, Sua Santidade João Paulo II deixou a Policlínica "Gemelli"
Acendeu-se de novo a luz da janela que ilumina Roma e o mundo

Voltou a acender-se a luz da janela que é familiar a todos e que ilumina a Praça de São Pedro, Roma e o mundo inteiro. É um sinal que dá alegria e esperança: o Papa voltou para casa, acompanhado pelo amor dos romanos e de toda a humanidade. O dia 13 de Março foi um domingo extraordinário: ao meio-dia João Paulo II, da janela da policínica "Gemelli", saudou a todos com a sua voz de pai, abençoando, no final da oração pronunciada na Praça de São Pedro pelo Arcebispo Leonardo Sandri. A alegria que transbordava dos corações dos filhos por ter ouvido a voz do pai "explodiu" literalmente ao vê-lo sair da Policlínica para voltar para a sua casa que é a casa de todos, ao sentir-se iluminados pela luz "daquela janela" do Palácio Apostólico. João Paulo II chegou ao Vaticano às 18: 35 horas, tendo deixado a policlínica às 18: 18 horas, onde tinha sido internado na manhã de quinta-feira, 24 de Fevereiro. Despediu-se da comunidade do hospital com uma saudação afectuosa. Suscitou um frémito de emoção, pela consciência de respirar uma página de história, ver com o olhar dos filhos este pai de todos atravessar a Praça de São Pedro, toda iluminada e em festa, acariciado por milhares de mãos estendidas em sinal de oração, de afecto e de gratidão. Roma abraçou o seu Bispo com um entusiasmo envolvedor e ao mesmo tempo familiar. Desde as primeiras horas da tarde uma multidão interiormente feliz reuniu-se espontaneamente na Praça de São Pedro, na Policlínica e ao longo da via Pineta Sacchetti. Foi o grande abraço dos filhos ao seu pai. Um "tapete" de aplausos, de sorrisos. O mover-se rápido das mãos para expressar a alegria alternou-se com lágimas que manifestam amor. Eram numerosos os cartazes, sendo o mais delicado: "Não te canses". João Paulo II quis abençoar e agradecer pessoalmente Roma e todo o mundo pelos incessantes testemunhos de oração e de afecto que nestes dias foram ternamente grandiosos. Ao atravessar a sua Cidade de automável, sentado à frente, ao lado do motorista, ele pôde ver o olhar deste povo em festa. Com o regresso do Santo Padre ao Vaticano concluiu-se uma singular "Viagem Apostólica" na terra do sofrimento, marcada pela oração e pela certeza da esperança cristã. Com o Papa fizeram esta "Peregrinação", em primeiro lugar, os pequeninos, pobres, sozinhas, doentes; a eles, desde o início do seu Pontificado, o Papa pediu que apoiassem a sua Missão Petrina com a oração.
GIAMPAOLO MATTEI (©L'Osservatore Romano - 19 de Março de 2005)

Atualização teológica: algumas questões de interesse

Atualização teológica: algumas questões de interesse
situação atual da fé e da teologia
Por Pe. Martín Martínez Sánchez

Nota prévia:
Este artigo é um resumo da conferência do Cardeal Joseph Ratzinger, proferida no Encontro de Presidentes de Comissões Episcopais para a Doutrina da Fé da América Latina em Guadalajara, México. Com o devido respeito, resumi a conferência nos seguintes pontos. Que eles nos sirvam para detectar o caminho que deve levar a Teologia na situação atual da fé.
1.- Na década de 80 a teologia que mais estava em voga e que mais chamava a atenção era a assim chamada “Teologia da libertação”. Propunha uma resposta nova, plausível e prática à questão fundamental do cristianismo: o problema da redenção. Era uma teologia que tinha como sustendo metodológico a filosofia marxista, mesmo sendo cristão o seu conteúdo. Nela, a fé, a esperança e o amor convertiam-se em mera práxis, em concreta ação redentora no processo de libertação. Todas as promessas descumpridas das religiões pareciam alcançáveis através de uma práxis política cientificamente fundada. Entretanto, a caída dos governos do Leste europeu provocou a derrocada do marxismo como sistema político. Este fato afetou a Teologia da libertação, que utilizava seu método. Os acontecimentos de 1989 também mudaram o cenário teológico. Tudo isto trouxe consigo uma grande desilusão que, aliás, está longe de ser assimilada.
2.- No mundo do pensamento atual domina a filosofia relativista. O relativismo se converteu no problema central da fé. Se apresenta no mundo como uma posição definida positivamente pelos conceitos de tolerância, conhecimento dialógico e liberdade. Aparece como fundamentação filosófica da democracia. Ninguém pode ter a pretensão de conhecer o caminho verdadeiro, todos os caminhos se reconhecem mutuamente como fragmentos do esforço para o melhor; por isso os homens buscam em diálogo algo comum e competem sobre conhecimentos que não podem se fazer compatíveis de forma alguma. Neste sentido, um sistema de liberdade é um sistema de posições que se relacionam ente si como relativas, dependentes e de situações históricas abertas a novos desenvolvimentos.
Na vida política não existe uma única opinião correta. Este foi o erro do marxismo e das teologias políticas: fazer valer a própria opinião por cima das demais.
Entretanto, com o relativismo total tampouco se pôde conseguir tudo no terreno político: existem injustiças que nunca se converterão em coisas justas e vive-versa.
Não se pode negar que haja um certo direito ao relativismo no campo sociopolítico. Assim evitam-se os absolutismos. O problema é saber quais são seus limites.
O método relativista foi aplicado à religião e à ética. Hoje vivemos na chamada “Teologia pluralista” das religiões. Se situou no centro da consciência cristã. É um vestígio do mundo ocidental e de suas formas de pensamento filosófico. Conecta-se com as instituições filosóficas e religiosas da Ásia. Une-se de muitas maneiras com a Teologia da libertação.
3.- Como se foi flagrando o relativismo na Teologia?
J. Hick (Presbiteriano americano) em suas obras, tem como ponto de partida filosófico a distinção kantiana entre fenômeno e noumeno. Diz: “nós nunca poderemos captar a verdade última em si mesma, mas só sua aparência em nosso modo de perceber, através de diferentes lentes”. O que captamos não é a realidade em si mesma, mas um reflexo a nossa medida. Hick tentou formular este conceito em um contexto cristocêntrico e logo que permaneceu um ano na Índia o transformou numa nova forma de teocentrismo. A identificação de uma forma histórica única, Jesus de Nazaré, com o próprio real, o Deus vivo, é relegada agora como uma recaída no mito. Jesus é conseqüentemente relativizado como um gênio religioso entre outros. O Absoluto não pode dar-se na história, mas só modelos, formas idéias que nos recordem o que na história nunca pode ser captado como tal. Conceitos como Igreja, dogma, sacramentos, devem perder seu caráter incondicionado. Fazer um absoluto de tais mediações limitadas ou consideradas encontros reais com a verdade universalmente válida do Deus que se revela seria o mesmo que elevar o próprio à categoria de absoluto; deste modo se perderia a infinitude do Deus totalmente outro.
Afirmar que na figura de Jesus Cristo e na fé da Igreja há uma verdade vinculante e válida na história é qualificado como fundamentalismo, o qual é um ataque ao espírito da modernidade, especialmente contra os seus bens supremos: tolerância e liberdade.
Neste pensamento, a noção de diálogo muda de significado: é colocar a atitude própria, a própria fé, no mesmo nível das convicções alheias, sem reconhecer nela, por princípio, mais verdade que a que se atribui à opinião dos demais. O diálogo deve ser um intercâmbio entre atitudes que tem fundamentalmente o mesmo nível e, portanto, são mutuamente relativas.
A fé na divindade de uma pessoa concreta conduz ao fanatismo e ao particularismo, à dissociação de fé e amor.
4.- Recurso às religiões asiáticas:
No pensamento de Hick se aproximam a filosofia pós-metafísica da Europa e a teologia negativa da Ásia, para a qual o divino não pode entrar por si mesmo e desveladamente no mundo de aparência no qual vivemos, mas que se mostra sempre em reflexos relativos e fica além de toda palavra e de toda noção, em uma transcendência absoluta. Neste sentido, se afasta a imagem de Cristo de sua posição exclusiva para colocá-la no mesmo nível dos mitos salvíficos indús: o Jesus histórico não é mais Logos absoluto que qualquer outra figura salvífica da história.
Sob o signo do encontro das culturas, o relativismo se apresenta como a verdadeira filosofia da humanidade. Quem resiste a ele, resiste a outros valores como a democracia e a tolerância... Se nega ao encontro das culturas. Quem deseja permanecer na fé da Bíblia e da Igreja se vê empurrado a uma “terra de ninguém” no plano cultural.
5.- Ortodoxia e ortopráxis:
A religião significa para Hick que o homem passa da self-centredness como existência do velho Adão à reality-centredness como existência do homem novo. Deste modo se estende desde o próprio eu para o tu do próximo.
Porém, isto acaba no oco e no vazio. Para isto a religião não faz falta.
Knitter, consciente destes limites tentou superar o vazio de uma teoria da religião reduzida ao imperativo categórico, mediante uma nova síntese entre Ásia e Europa. Une a teologia da religião pluralista com as teologias da libertação. O diálogo inter-religioso deve simplificar-se radicalmente e fazer-se efetivo praticamente, fundando-o sobre um único princípio: o primado da ortopráxis sobre a ortodoxia. Quando o conhecer é impossível, só resta a ação. Não se pode conhecer o absoluto, mas pode-se fazê-lo. Porém, onde podemos encontrar a ação justa, se não podemos conhecer o justo absolutamente? A mera práxis não é luz.
As religiões da Índia não conheciam uma ortodoxia em geral, mas uma ortopráxis; foi daí que entrou provavelmente a noção na teologia moderna. As religiões da Índia não tinham um catecismo geral obrigatório. A pertença a elas não estava definida pela aceitação de um credo particular. Ou melhor, estas religiões tem um sistema de ações rituais que consideram necessário para a salvação, e que distingue o crente do não crente. O significado de ortopráxis (reto agir) é um código de ritos.
O conceito na teologia moderna não tem nada a ver com o conceito indú. Se excluir-se o sentido ritual dado a ele na Ásia, então a práxis só pode ser compreendida como ética ou como política. Se a exigência de ortopraxis tem um sentido e não quer ser o “taba-buraco” da carência de obrigatoriedade, então deve dar uma práxis comum, reconhecível por todos, que supere o palavrório da centralização no eu e na referência ao tu de Hick. Porém, qual é a correta ação política, se não se pode conhecer? Ou, já que há um ethos claramente definido enquanto seu conteúdo, isto não está excluído de uma ética relativista que diz: agora já não há nada bom ou mal em si mesmo?
Esta ortopráxis repousa em um certa ortodoxia, como uma “armação” de teorias obrigatórias acerca do caminho para a liberdade. Knitter está próximo deste princípio quando afirma que o critério para diferenciar a ortopráxis da pseudopráxis é a liberdade. Porém, o que é a liberdade e o que serve à verdadeira libertação do homem?
Uma coisa fica clara: as teorias relativistas desembocam no arbítrio e se tornam por isto supérfluas, ou, ao contrário, pretendem uma normatividade absoluta, que agora se situa na práxis, erigindo nela um absolutismo que não tem lugar.
6.- New Age:
O relativismo de Hick e Knitter se baseia em um racionalismo que declara a razão incapaz do conhecimento metafísico; a nova fundamentação da religião tem lugar por um caminho pragmático, com tons mais éticos ou mais políticos.
Uma resposta anti-racionalista ao lema: “tudo é relativo” é a New Age. O remédio contra o relativismo está na superação do sujeito, no retorno extático à dança cósmica. Está em sintonia com tudo o que ensina a ciência. Valoriza os conhecimentos científicos de qualquer gênero. Oferece uma mística na qual não se pode crer no absoluto, mas experimentá-lo. Deus não é uma pessoa que está à frente do mundo, mas a energia espiritual que invade o Todo. Religião significa a inserção do meu eu na totalidade cósmica, a superação de toda divisão. A redenção está no desenfreio do eu, na imersão na exuberância do vital, no retorno ao todo. Se busca o êxtase, a embriaguez do infinito que pode acontecer na música embriagante, no ritmo, na dança, no frenesi de luzes e sombras, na massa humana. Se renovam os ritos primitivos nos que o eu se inicia no mistério do Todo e se libera de si mesmo.
Quanto mais manifesta a inutilidade dos absolutismos políticos, tanto mais forte será a atração do irracionalismo, a renúncia à realidade do cotidiano.
7.- O pragmatismo na vida cotidiana da Igreja:
Na realidade, nossa fé se consume e decai no mesquinho.
Existe o intento de estender à fé e aos costumes o princípio da maioria, para assim democratizar a Igreja. Porém, uma fé que nós mesmos podemos determinar não é absolutamente uma fé. De outro lado, nenhuma minoria tem porque deixar-se impor uma fé por uma maioria. A fé, juntamemte com sua práxis, ou nos chega do Senhor através de sua Igreja e da vida sacramental, ou não existe absolutamente. Se a fé pudesse ser decidida por uma instância burocrática, muitos a abandonariam. Por que, para dizer o que é fé, seria necessário chegar ao poder e, quando não se chega, o mais fácil é não crer.
O anterior poder também ser aplicado à Liturgia. Assim como uma instância superior pode reformar ou introduzir elementos novos na Liturgia, assim também uma Igreja local, e inclusive paroquial, poderá fazê-lo, pois se busca atualmente uma liturgia vivencial, que se aproxima da New Age: “busca-se o embriagante e o extático”.
8.- Tarefas atuais da Teologia:
Diante desta situação, quais seriam os empreendimentos da Teologia atual?
Superar definitivamente a Teologia da Libertação, que oferecia uma nova práxis mediante a qual a redenção teria lugar, práxis que deixou ruína ao invés de liberdade.
Superar o relativismo, que se compactuou com a Teologia da Libertação para poder ser posto em prática.
Dialogar com a New Age, que diz: “deixemos o fracassado experimento do cristianismo, voltemos de novo aos deuses, pois assim se vive melhor”.
Superar a exegese de tipo racionalista, inspirada na Filosofia de Kant; porém, aceitar que a fé sem a razão nunca será humana. Fé e razão devem ser o fundamento de toda exegese. A Teologia atual terá que aceitar as conquistas da exegese moderna a partir de uma disposição humilde que conduza forte e profundamente a fé.
Continuar dialogando com as filosofias atuais, a fim de sustentar-se sobre uma autêntica verdade humana.

(Traduzido por José E. O. e Silva)
http://www.presbiteros.com.br/Dogma/A%20Atualiza%E7%E3o%20Teol%F3gica.htm